Conselho tem a missão de acompanhar e atualizar a política nacional sobre drogas. Decreto do presidente elimina vagas de representantes médicos, psicólogos, advogados e estudantes.
O presidente Jair Bolsonaro decidiu reduzir, por meio de decreto, a participação da sociedade civil – inclusive de representantes das áreas de medicina e psicologia – do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), órgão que tem entre suas funções aprovar o plano nacional de políticas sobre o tema. O decreto foi publicado nesta segunda-feira (22) no “Diário Oficial da União”.
Criado em 2006, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Conad era composto por representantes de 4 áreas: governo federal; conselhos estaduais antidrogas; organizações, instituições e entidades da sociedade civil; e especialistas indicados pelo presidente do conselho. Não é a primeira vez que decretos do presidente alteram a composição de conselhos.
O decreto publicado nesta segunda elimina as vagas para representantes das últimas duas áreas, sociedade civil e especialistas. O Conad passa a ser composto apenas por representantes do governo e dos conselhos estaduais antidrogas.
Com a mudança, deixam de ter assento no conselho:
– um jurista, indicado pela OAB
– um médico, indicado pelo Conselho Federal de Medicina
– um psicólogo, indicado pelo Conselho Federal de Psicologia
– um assistente social, indicado pelo Conselho Federal de Serviço Social
– um enfermeiro, indicado pelo Conselho Federal de Enfermagem
– um educador, indicado pelo Conselho Federal de Educação
– um cientista, indicado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
– um estudante, indicado pela União Nacional dos Estudantes
Além de profissionais ou especialistas, “de manifesta sensibilidade na questão das drogas”, indicados pelo presidente do Conad:
– um de imprensa, de projeção nacional;
– um antropólogo;
– um do meio artístico, de projeção nacional; e
dois de organizações do terceiro setor, de abrangência nacional, de comprovada atuação na área de redução da demanda de drogas
Nova composição
O Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas continuará sendo presidido pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, passa a integrar o conselho.
Outros integrantes:
um representante dos seguintes órgãos e entidade da administração pública federal:
o Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública;
o Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania;
um representante de órgão estadual responsável pela política sobre drogas; e
um representante de conselho estadual sobre drogas.
Outros conselhos
Não é a primeira vez que decretos do presidente alteram a composição de conselhos. Na semana passada, Bolsonaro reduziu pela metade a participação de representantes da indústria cinematográfica no Conselho Superior do Cinema, órgão responsável por elaborar a política nacional para o setor.
O texto também reduziu a participação da sociedade civil no colegiado: de três para dois representantes. Com isso, o governo terá maioria na composição do conselho: serão sete ministros, e cinco integrantes do setor e da sociedade civil.
Em maio, outro decreto do presidente reduziu e alterou a composição do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O conselho é o principal órgão consultivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e é responsável por estabelecer critérios para licenciamento ambiental e normas para o controle e a manutenção da qualidade do meio ambiente.
O colegiado, que contava com 96 conselheiros, entre membros de entidades públicas e de ONGs, agora terá 23 membros titulares, incluindo seu presidente, o ministro Ricardo Salles. G1