Discussão em grupo Covid-19 Guanambi abre a real situação para atendimentos aos pacientes

10 de abril de 2020

“Não tem leito de UTI suficiente para a POPULAÇÃO em nenhum lugar do planeta! Muito menos aqui!” afirma diretora do HGG.

Com imensa preocupação sobre o cenário da COVID-19 em nossa região, em plena sexta-feira Santa (10), uma discussão foi levantada pelo grupo de whatsapp Covid-19 mostrando os pontos reais sobre a capacidade de atendimento  do serviço de saúde do Hospital Geral de Guanambi (HGG) e Hospitais das cidades que pertencem à Regional Guanambi.

Tudo começou quando a infectologista, Dra. Vanessa Teixeira, fez um cálculo (com o número dos municípios da regional) para que os participantes do grupo entendessem a real situação de atendimento aos pacientes com a covid-19 no HGG.

Diz ela, “calculem comigo:
A taxa de infecção média da população em 10% é a mais alta de todas, os trabalhos estão sendo feitos com 5%, mas está ok, vamos considerar o pior cenário:
Destes 10% (23.962) teremos 70% que são assintomáticos.
Dos sintomático (grupo de 30% – 7.188 ), 85% terão sintomas leves, 10% são amarelos ou moderados e 5% são vermelhos ( 359 pacientes) que vão necessitar de UTI.
Isto durante o tempo que durar a pandemia, não é ao mesmo tempo, aí de onde vem a importância de dividir estes casos por um período de 4 a 6 meses. Já que cada um ocupa o leito por um tempo médio de 14 dias, isto seria achatar a curva. Considerando que a taxa média de infectados pode ser de 5%, poderíamos ter metade disto, que seriam 175 pacientes necessitando de UTI durante toda a epidemia, para 10 leitos, que ainda é muito, mas é menos assustador”.

A Fiscal Alcenielia da Vigilância Sanitária Municipal, diz que “se levarmos em conta os demais municípios que são atendidos pelo hospital HGG, esse número é ainda mais assustador”

Dra. Vanessa Teixeira, infectologista, endossa, “sim, porque o Hospital Geral de Guanambi atende a uma população maior do que essa”.

A Diretora do HGG, Paula Mello, esclarece que a população que o HGG cobre é de 637 mil pessoas, pertencente a 31 municípios da região.

O coordenador da UPA24h e mestrando em Saúde Coletiva, Edmilson Junior, ressalta que os leitos de UTI do HGG não são exclusivos para o COVID-19 e que o Estado já deveria estar estruturando melhor a nossa Região.

Paula Mello deixa claro a seguinte situação: “Estamos adotando estratégias de fluxo para outras unidades que estão sendo montadas para girar nossos leitos. Mas, se a população não colaborar com as medidas necessárias, não dará conta. Estamos estruturando 4 leitos COVID-19 no PGE, mais 3 isolamentos na emergência, com ventiladores e monitores,  além da UTI”.

Mello cita que estão sendo implantados 10 leitos de UTI COVID-19 em Vitória da conquista para o HGG rodar os pacientes mais rápido, ou seja, estabilizar e encaminhar o paciente para os devidos cuidados em outro leito. E continua, “temos 10 leitos de UTI. Estamos criando 7 semi UTIs, mais 8 leitos de enfermaria COVID-19, mais o isolamento da UTI que está sempre para COVID-19”.

Em relação ao remanejamento de pacientes, ela esclarece que “são feitos à medida que necessário para rodar”. E cobra dos prefeitos  da região que seus hospitais precisam se estruturar também.

Sobre o ventiladores, Paula em tom de preocupação,  fala que “tem unidades com ventiladores sem uso ou quebrados. É preciso resolver. Não dá para só contar com o HGG para resolver tudo de imediato”.

Outra preocupação da Diretora do HGG é sobre a preparação de novas equipes para atender os pacientes da covid-19, “não adianta colocar leitos sem equipe. Temos déficit de profissionais qualificados para tal”. “Estamos articulando para ajudar no treinamento do uso de ventiladores para alguns municípios”.

Os leitos de UTI do HGG de Guanambi se encontram todos ocupados. Paula afirma, “não tem leito de UTI suficiente para a POPULAÇÃO em nenhum lugar do planeta!!!! Muito menos aqui!”.

A Doutora em Educação, Adriana Bomfim, deixa tudo mais explícito: “Resumindo… a questão é: há muita gente para poucos leitos. Não adianta criar leitos sem profissionais capacitados. Não os temos no momento. Se as pessoas não ficarem em casa, os casos surgirão e não haverá leitos para todos que precisarem. Se atendemos a mais de 600 mil pessoas, não há hospital que suporte demanda maior do que aquela que já existe. Lembrando que as outras doenças não esperarão o COVID passar. Ou as pessoas entendem o porquê de terem que ficar em casa, ou viveremos dias difíceis”.

A coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), Dorotéia Reis, endossa as considerações de Adriana.

O coordenador da UPA24h, Edmilson Junior sugere que se faça uma campanha publicitária, nesta semana, com profissionais da área e com a população para difundir mais sobre as reais situações da saúde no atendimento de pacientes com covid-19 e para que todos entendam o FICAR EM CASA.

A diretora do HGG, Paula Mello, encerra a conversa dizendo “hoje é sexta-feira Santa, dia que lembramos a morte daquele que nos amou e acreditou na humanidade. Não deixemos que tudo isso seja em vão. Amenos uns aos outros e continuemos EM CASA! AMÉM.

Por Neide Lu – Portal Fala Você Notícias

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