Fórum Municipal de Educação de Guanambi emite nota pública apoiando o Fórum de Saúde por não concordar com o relaxamento das medidas contra o coronavírus

15 de maio de 2020

O Fórum Municipal de Educação (FME) de Guanambi, órgão responsável pelo acompanhamento, monitoramento e avaliação da Política de Educação no município, emitiu nesta quinta-feira, 14, uma Nota Pública apoiando o Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Guanambi,  Órgão máximo de representação social na fiscalização, controle, deliberação e gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e das questões de saúde pública do Município, no tocante às preocupações com o relaxamento das medidas de prevenção frente à pandemia do Coronavírus (COVID 19), por parte do prefeito Jairo Magalhães a partir da publicação do Decreto Nº 746 de 04 de maio de 2020,  flexibilizando  serviços não essenciais no município e também pela edição das Portarias nº 06, 07 e 08 de 05 de maio de 2020, que dispõem sobre a regulamentação do funcionamento de bares, restaurantes e similares, cultos e manifestações religiosas, academias e demais espaços para realização de atividades físicas.

O Fórum de Educação reconhece as inúmeras ações adotadas pelos Governos Estaduais e municipais,  a frente dos investimentos na saúde e adoção de outras medidas de prevenção, especialmente no que tange ao isolamento social, o que contribuiu significativamente para reduzir os riscos e conter a propagação do vírus. Porém manifesta a preocupação de que a realidade aponta que ainda não é hora de flexibilizar as medidas, devido casos registrados em municípios vizinhos, como Caetité, Licínio de Almeida, Brumado, Urandi e Serra do Ramalho .

Sabendo que existe as dificuldades enfrentadas pelo setor econômico, mesmo assim o Fórum de Educação sugere que precisa colocar a vida em primeiro lugar, pelo fato da economia se recuperar aos poucos, com pessoas saudáveis, porém ninguém poderá trazer de volta uma vida ceifada.

Veja a Nota na íntegra: 

Nota Pública do Fórum Municipal de Educação (FME) de Guanambi-BA

O Fórum Municipal de Educação (FME) de Guanambi, órgão responsável pelo acompanhamento, monitoramento e avaliação da Política de Educação no município, vem por meio desta manifestar apoio ao Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Guanambi – Órgão máximo de representação social na fiscalização, controle, deliberação e gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e das questões de saúde pública do Município, no que tange às preocupações com o relaxamento das medidas de prevenção frente à pandemia do Coronavírus (COVID 19), por parte do Poder Executivo, a partir da edição do Decreto Nº 746 de 04 de maio de 2020, que flexibilizou serviços não essenciais no município de Guanambi, bem como a edição das Portarias nº 06 de 05 de maio de 2020, que dispõe sobre a regulamentação do funcionamento de bares, restaurantes e similares; da Portaria nº 07 de 05 de maio de 2020, que regulamenta o funcionamento dos cultos e manifestações religiosas e, ainda, da Portaria nº 08 de 05 de maio de 2020, que dispõe sobre a regulamentação de academias e demais espaços para realização de atividades físicas.

Acompanhando, com muita seriedade, as orientações e informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), de diversos profissionais da saúde e de instituições de Pesquisa, a exemplo da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), percebemos que ainda estamos longe de contermos a pandemia no Brasil e a prova disso é que, na data da publicação da nota pelo Conselho Municipal de Saúde de Guanambi, o país registrava 125.218 casos confirmados e 8.536 óbitos por Covid-19. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, até ontem (13/05), na última atualização, o número de casos era de mais de 188.974, sendo 13.149, o número de óbitos. Na Bahia, na mesma data, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SESAB), foram 6.547 casos confirmados e 236 óbitos.

De um lado, reconhecemos e valorizamos as inúmeras ações adotadas pelos Governos Estaduais e municipais, a exemplo de Guanambi, no que tange aos investimentos na saúde e adoção de outras medidas de prevenção, especialmente no que tange ao isolamento social, o que contribuiu significativamente para reduzir os riscos e conter a propagação do vírus. De outro lado, a realidade aponta que ainda não é hora de flexibilizar as medidas, visto que já há casos registrados em municípios vizinhos, a exemplo de Caetité, Licínio de Almeida, Brumado, Urandi e Serra do Ramalho e Guanambi não está imune.

Vale ressaltar, ainda, que os dados do MonitoraCovid-19 – Sistema criado em 30/03/2010 por pesquisadores da Fiocruz e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para monitorar e integrar dados sobre o avanço da pandemia no território nacional e no mundo – apontam a expansão do vírus para os municípios do interior do país, em especial cidades próximas às regiões metropolitanas, aquelas denominadas capitais regionais e as que são consideradas centros locais de comércio. De acordo com nota técnica do MonitoraCovid-19, em 17/04/2020, amplamente divulgada pelos meios de comunicação, já havia registro da doença em 59,6% das cidades brasileiras com população entre 50 e 100 mil habitantes. A maior preocupação dos/as pesquisadores/as com esse avanço é a pouca estrutura de saúde disponível, já que a mesma não comportaria surtos ou epidemias, o que, fatalmente, levaria à falência dos sistemas de saúde locais e consequentes óbitos.

O FME, embora não seja um órgão com especialidades na área da saúde, é um espaço de diálogo e de escuta, composto por representações de diversas organizações e entidades da comunidade guanambiense, as quais, nas últimas semanas, têm manifestado grande preocupação com o que poderá acontecer com um possível surto desse vírus aqui no município e na região, sobretudo, se considerado o alto índice de desigualdades sociais e as dificuldades que os Sistemas de Saúde já vêm enfrentando, desde muito antes da pandemia.

Mesmo compreendendo as dificuldades enfrentadas pelo setor econômico, precisamos colocar a vida em primeiro lugar, pois a economia se recupera aos poucos, com pessoas saudáveis, mas ninguém poderá trazer de volta uma vida ceifada.

É hora de unirmos as nossas forças (Poder Público, população em geral e organizações e instituições da sociedade civil e privadas), para cuidarmos das vidas hoje e não chorarmos as dores das perdas amanhã.

Posto isso, novamente ratificamos a nota do CMS e solicitamos do Poder Executivo Municipal que sejam revistos o Decreto e as Portarias, anteriormente mencionadas, no sentido de fortalecer as medidas de prevenção e combate ao Coronavírus e garantir maior segurança à população.

Guanambi-BA, 14 de maio de 2020.

Juliano da Silva Vilas Boas

Coordenador do FME

Por Neide Lu – Portal Fala Você Notícias

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