Dr. Alcir Rocha e Ravane Tito relatam situações vexatórias de racismo, no programa Fala Você Notícias, com Neide Lu
Dr. Alcir Rocha, advogado, professor da UESPI e controlador da Câmara de Vereadores de Guanambi e Ravane Tito, estudante de psicologia, falam sobre o racismo existe?
O Dia da Consciência Negra de 2020 foi marcado pelo assassinato de um homem negro, João Alberto, em um supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O caso ficou marcado, pelo assassinato estar associado ao racismo, que faz várias vitimas pelo Brasil.
No Papo Jurídico desta terça-feira, 24, o tema foi “o racismo existe?” Dr. Alcir Rocha falou das suas experiências com o racismo, do qual já foi vítima várias vezes. Rocha levou ao ar duas situações em que foi discriminado por sua cor. Uma, em um hotel em Curitiba, no Paraná onde, segundo ele, foi tratado de forma diferente por um recepcionista do hotel. Alcir conta que, na época, a situação não foi pior por conta de um príncipe africano que estava com ele na ocasião. Por conta da situação constrangedora, Alcir disse que abriu uma reclamação junto à gerência do hotel e procurou outra hospedagem para passar a estada. Outro fato foi em que ele havia chegado recentemente em uma instituição de ensino superior, onde um aluno o retrucou dizendo: “é esse negro que vai me dar aula?” Perguntado qual foi a sensação diante desses episódios, o advogado foi enfático em dizer que, em ambos os casos, ele preferiu contornar a situação e não judicializar a questão pois, segundo Rocha, “as pessoas têm, praticamente, judicializado tudo e esse não é o caminho.”
Outra convidada da jornalista Neide Lu foi a aluna do curso de psicologia da Unifg, Ravane Tito, que também já passou por situações vexatórias por racismo. Em uma das ocasiões em que foi tratada com racismo, Ravane conta que, por causa de tranças afro, ao entrar em uma loja de Guanambi, ela foi tratada com indiferença e que, segundo ela, as vendedoras não lhe deram a atenção devida, pois ela estava a comprar um presente para sua tia, que fazia aniversário naquele dia. Ao pagar pelo produto, Tito conta que, no caixa, uma das vendedoras lhe questionou “tem certeza que você vai levar essa?” Sem hesitar, Ravane tirou da bolsa uma nota de R$50 reais e que, nesse momento “a moça do caixa arregalou os olhos e pensou que não teria dinheiro para pagar bombons que custou R$42,90. Elas me julgaram por causa do meu cabelo e da minha roupa. Acharam que, por ser negra, que eu não teria condições de pagar”, acrescentou Ravane. Por conta desses e de outros episódios lamentáveis, Ravane disse que levou muito tempo pra curar as dores de ter passado pelo racismo. Inclusive, para tentar superar as situações racistas, Ravane procurou ajuda de uma professora da Unifg que muito lhe ajudou na superação dos seus traumas.
Quanto às tranças que citamos no início dessa matéria, Ravane, a pedido do marido, tirou as tranças. “Eu amo tranças, cabelo black. Mas meu marido me pediu que tirasse, pois ele me falou que não me queria ver sofrendo por causa de racismo.” Ouça a entrevista na íntegra ou assista na live
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Por Willian Silva – Portal Fala Você Notícias