Ten. Cel. Arthur Mascarenhas, comandante do 17º BPM e Ten. PM Jacimara Ornelas, coordenadora da Ronda Maria da Penha de Guanambi, falam dos resultados da Ronda nesses 3 anos.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que agressões estão ocorrendo cada vez mais cedo; em todo o mundo, um terço das mulheres ou 736 milhões já sofreu violência física ou sexual por um parceiro ou alguém próximo.
Dentro deste contexto o Cel. Arthur e a Ten. Jacimara falaram da realidade guanambiense e regional de acordo os dados de três anos de implantação da Ronda Maria da Penha na cidade.
Segundo Mascarenhas, a Lei Maria da Penha veio tardiamente através de uma tragédia ocorrida com a Maria da Penha pra resgatar um histórico passivo até hoje, que é a violência contra a mulher antes de tudo cultural, cultura do machismo, patrimonialismo dessa relação homem/mulher. “A Lei veio tentar resgatar, mas ainda falta muito”.
Em relação a efetividade durante estes três anos da Ronda Maria da Penha, a Ten. PM Jacimara pontua que as mulheres deixaram de se esconder e estão buscando justiça e proteção, mesmo tendo ainda muito medo.
Sobre o que a Lei Maria da Penha tem proporcionado na cidade, Jacimara enxerga que “os números de denuncias tem aumentado muito, todos os dias elas pedem socorro. Algumas desistem das medidas, mas algumas pedem mais medidas”.
Questionada sobre mesmo com uma lei que protege as mulheres e com uma rede de atendimento para ajudá-las, por que elas aguentam a violência doméstica por tanto tempo, a Ten. Jacimara responde que “é por motivos afetivos, por medo, por amor, porque elas acreditam que o companheiro vai mudar, as mulheres são muito românticas, temos como exemplo uma assistida da zona rural que nós fomos até ela e ela disse que estava com ele, ele é um homem bom, e ontem ela estava na delegacia muito machucada, com mordidas, murros, muito lesionada, e eu perguntei cadê aquele homem bom? Ela disse pois é, eu acreditei, mas agora não acredito mais não, agora vou levar até o fim”, relata o episódio a PM Jacimara.
Ainda sobre este exemplo o Cel. Mascarenhas aprofunda sobre o poder patrimonialista e por a mulher ser dona de casa e não ter concluído sequer o segundo grau, fica na dependência econômica do marido e “aí ela bota na balança pra ver a violência maior, a violência moral, psíquica, sexual, física ou a violência de ver seus filhos passando fome?, indaga.
O comandante Mascarenhas cobra a funcionalidade da rede de proteção à mulher integral em nossa cidade, “norma por si só não faz mudar a realidade social, a Lei Maira da Penha veio criar um arcabouço de proteção, mas a polícia por si só não vai resolver”.
Para Mascarenhas as mulheres tem que ter um incentivo econômico, educacional, habitacional para que se desgarre por completo do julgo do machismo imperante no país.
Indagados sobre como está a rede de proteção à mulher em Guanambi, a coordenadora da Ronda Maria da Penha, Ten. Jacimara disse que “se sente muito solitária”.
O Cel. desabafa dizendo que a verdade é que as medidas protetivas são deferidas pela justiça e acaba a Ronda Maria da Penha como a única rede de proteção integral à mulher, e dispara, “a mulher não tem o aluguel social que deveria ter integralmente, mas existe cota, o que define a cota? Apanhar mais ou apanhar menos? Não deve existir cotas e sim a proteção integral, a legislação fala isso”.
Sobre quem tem o poder de fiscalizar a rede se funciona, o comandante responde que a Defensoria Pública, e aí revela que a defensoria pública de Guanambi nunca foi ver os números na Ronda Maria da Penha, mesmo a Ten. Jacimara respondendo que tem uma boa relação, “não foram, não conhecem a realidade da nossa cidade”, diz o Cel. O Ministério Público é outra rede que tem que fazer proteção, a Assistência Social através da Prefeitura e a sociedade como um todo cobrando das redes públicas medidas efetivas de proteção à mulher”, expõe o comandante.
Para existir mudança no cenário ou alternativa, Arthur Mascarenhas diz que passa por investimentos de políticas públicas eficientes através de capacitação dos policiais que fazem o atendimento as mulheres, uma Delegacia especializada com um corpo feminino, assistentes sociais, psicólogas, mas isto carece investimento do poder público, mas infelizmente a gente não ver a proteção às mulheres.
Quanto a instalação de uma DEAM em Guanambi, a Ten. Jacimara responde que precisa de uma população de 120 mil pessoas, só que o poder judiciário de Guanambi não engloba só Guanambi, tem outras cidades. O Cel. Mascarenhas revela que se existe a AISP para segurança integrada da região, nós temos que adotar uma visão muito mais ampla. São 18 municípios integrados ao 17º Batalhão e a 94ª CIPM, que tem meio milhão de habitantes e não tem uma delegacia de proteção à mulher instalada na AISP, ou seja, dá pra instalar.
Os dados sobre a quantidade de mulheres cadastradas na Ronda Maria da Penha, são de 455 mulheres, porém ativas são 290. De acordo a coordenadora da Ronda, Ten. Jacimara, muitas mulheres receberam a medida de proteção e ainda não procuraram a Ronda, ela pede que entre em contato pelo (77) 9.9915-3259. Agora dê um clique na entrevista e fique por dentro do papel do policial da Ronda, o que pode ser comemorado no dia de hoje, aniversário de 3 anos da Ronda, atuação da PM sobre os homicídios e os arrombamentos na lojas de Guanambi.

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Por Neide Lu – Portal Fala Você Notícias