Norma Lopes, pedagoga e terapeuta INL e MO.V, membro fundadora do Instituto Super Nova, desafios dos professores do terceiro milênio.
Uma pandemia que fragilizou ainda mais a educação do país estabelecendo quebra de paradigmas para os profissionais e desafios para os envolvidos no processo, que consequentemente expôs todas as fragilidades que não estavam sendo cuidadas. Diante deste contexto, a jornalista Neide Lu, no dia 16, dialogou com a educadora Lopes para saber quais os caminhos que os professores podem buscar.
Com 26 anos de vivência na educação a pedagoga Lopes, considera que foram 26 anos de desafios de acordo com verdade de cada um, com seu estilo de vida, comunidades diferenciadas, com costumes e tradições diferenciados, famílias. “Ser professor é um grande desafio, mas o maior desafio que observo é seduzir o aluno pra estudar, pra se formar enquanto ser humano, enquanto indivíduo produtivo capaz de cuidar da própria vida e se capacitar profissionalmente”, afirma Lopes.
Quanto a participação dos pais neste processo em serem pontuais para os filhos estudarem, a professora Norma diz que no Brasil nós não temos a cultura de estudar, ela ainda é pautada na escravidão, do servir, do trabalhar, do produzir, da mão de obra, não temos este incentivo, não temos políticas públicas que garantam isso ao aluno. “Temos alunos inteligentes e tem que sair da escola pra trabalhar, pra ajudar os pais”, lamenta a educadora.
Outro ponto levantado pela educadora é que a maioria dos pais não sabem ler e não escrevem, e os que lêem e escrevem são analfabetos funcionais. “Eles não tem a compreensão de que o conhecimento é fundamental na formação dos filhos deles e aí não tem essa valorização, a necessidade de ter o dinheiro pra se sustentar é bem maior. A fome fala mais forte”, explica Norma.
Indagada como os professores lidam com esta realidade, Norma diz que a insistência é muita e que tem alunos hoje em dia que estão bem profissionalmente, que conseguiram, mas é uma minoria nesse percurso. “Porém usamos textos, os recursos tecnológicos, exemplos de vida, eu mesma no primeiro dia de aula conto a minha história que coincide com a deles para motivá-los”, esclarece.
A pedagoga conta que na pandemia houve uma perda significativa de alunos, que elas ficam atrás, a secretaria faz busca ativa de ir na casa do aluno, tentam localizar por telefone. “Hoje estamos vivendo com três realidades, dando aula pela plataforma, aulas pelo whatsapp e aulas com atividades impressas, nós temos que preparar três planejamentos diferenciados”, confessa.
Sobre a realidade em que os professores estão vivendo e por conta disto não querem voltar pra sala de aula, a professora Lopes relata que existe um medo instalado entre os professores devido a realidade precária, às vezes falta água pra dar descarga no vaso, uma escola com 800 alunos, não temos estrutura, não temos uma pia na sala para o menino lavar as mãos, a higienização dessas escolas serão garantidas?, precisa se estruturar para voltar.
“Nós vamos retornar para as salas de aulas com professores doentes emocionalmente, sem estrutura para lidar com a realidade que nós vamos enfrentar porque os meninos, também, chegaram doentes”, diz Norma.
Para a educadora, a escola pública está sendo enterrada, “a gente está fazendo o velório da escola pública”, revela Lopes. Agora dê um clique e veja o que professor precisa fazer por ele.

Assista o vídeo da entrevista:
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Por Neide Lu – Portal Fala Você Notícias