Ivan Gargur, economista, consultor e professor universitário, fala sobre os aumentos no preço do combustível.
Procurando entender o que compõe o preço dos combustíveis, a apresentadora do Fala Você Notícias, Neide Lu, nesta sexta, 20, convidou o professor soteropolitano, Ivan Gargur, economista para tratar sobre o tema.
O professor Gargur adentrou no assunto falando da questão ideológica em que até que ponto o governo federal deve interferir no preço dos combustíveis ou não?
Segundo ele, há aqueles que acham que é preciso ter uma intervenção nos preços da gasolina e no gás de cozinha, porém existe aqueles que acham que não, “que é a linha do Paulo Guedes que é neoliberal. Por ser uma sociedade anônima, ter ações na bolsa de valores e está investindo na Petrobrás, o governo federal não deve intervir no preço, deixaria a Petrobrás a vontade para ditar o preço”, expõe.
O professor também lembra que meses atrás o diretor da Petrobrás foi demitido por estar dando vários reajustes a gasolina, mas mesmo assim com essa mudança tivemos o segundo aumento há pouco tempo. Para ele, o argumento da Petrobrás é que deve seguir os preços do comercio internacional e seguir a lei da demanda, que aumentaria o preço.
Gargur pontua que no ano passado mesmo com a pandemia vários setores pararam a produção, caiu muito a demanda pelo petróleo, caiu o preço do petróleo no mercado internacional, só que a gasolina internamente não caiu o preço. O que se questiona é, por que eu sigo este preço praticado no mercado internacional quando o produto petróleo está em alta, mas quando o preço cai como aconteceu em 2020, mas a Petrobrás não segue o mesmo caminho?
O segundo ponto questionado pelo professor é o valor do dólar, porque eu não posso me deslocar do preço que é praticado no mercado internacional. O que se observa é “que a Petrobras segue quando o preço sobe, mas não segue quando o preço cai, e aí nós ficamos a mercê do preço que a Petrobras estabelece”.
O economista, ainda, alerta sobre a população que precisa tanto, e que o gás de cozinha que está ficando inviável para várias famílias. “Hoje nós temos milhões de famílias no Brasil que voltaram a cozinhar com lenha ou carvão, não tem sentido em 2021 às famílias voltarem a usar lenha e carvão para cozinhar”.
Ele também esclarece sobre o entendimento do acumulado do governo sobre a gasolina e o gás de cozinha que chega a superar o valor do ICMS da Bahia, que é de 27%, mesmo reconhecendo que os 27% do ICMS cobrado pelo governo estadual é abusivo.
Questionado sobre a população aceitar essa precificação sem reclamar, Gargur responde que “somos um povo pacífico, não somos uma sociedade com capacidade de mobilização nas questões diversas”.
Ouvinte pergunta qual a solução sobre as altas dos combustíveis e quem é responsável pelos preços abusivos? O economista responde que solução não tem no momento, pelo fato do governo dar autonomia a Petrobrás de fixar os preços, e não gosta de culpar ninguém pelos preços, mas o ICMS é o maior no preço da gasolina, porém cada um tem o seu percentual na precificação. Dê um clique e ouça as resposta de perguntas de ouvintes ao economista.
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Por Neide Lu – Portal Fala Você Notícias