Ten. Cel. Arthur Mascarenhas, comandante do 17º BPM, bacharel em direito, pós-graduado em direito penal e processual penal e em gestão estratégica de segurança pública, fala sobre desemprenho em segurança e projetos do 17º BPM.
Guanambi anda na contramão das estatística de violência do país, por conta disto, o Fala Você Notícias, nesta quinta, 11, convidou o comandante do 17º Batalhão de Polícia Militar para entender o trabalho que vem sendo desenvolvido em Guanambi e toda a região.
O bate-papo teve início procurando entender se existiu um planejamento do coronel pra Guanambi assim que soube que viria pra o 17º BPM, Mascarenhas responde que assim que foi nomeado começou a estudar a cidade e percebeu um número elevado de homicídios, que tinha uma guerra muito forte entre o tráfico de drogas, uma disputa aberta muito forte e viu que o seu primeiro desafio seria combater isso, porque causar instabilidade na população e o seu objetivo principal era estabilizar esta guerra bélica “e assim que assumimos deflagramos diversas operações neste sentido, diversos traficantes foram presos, outros entraram em confronto com nós e foram mortos na ação policial, e outros que aqui tentaram se estabelecer foram embora da cidade, a gente sabe onde eles estão em outras cidades, em outros estados, a gente conseguiu nestes três anos uma estabilização muito grande em termos de conflito armado para o tráfico de drogas, a gente sabe que não vai conseguir terminar o tráfico de drogas porque depende de política social ampla e também da consciência da população, principalmente da família em relação ao consumo, o consumo na cidade é muito alto, às famílias tem que ter essa atenção aos seus filhos, aos seus adolescentes, no sentido de fiscalizar a chegada e a saída desses adolescentes, a amizade, para que as coisas vão se estabilizando mais ainda, segurança pública é responsabilidade de todos e não só da polícia”, esclarece.
Indagado sobre se o consumo de drogas tem faixa etária, o Coronel responde que não tem não, mas o ponta pé inicial é na adolescência, nas amizades, evidente que tem gente de 50, 60 anos que utiliza drogas, mas se a gente tem uma preocupação muito grande com a adolescência, o jovem de 14, 15 anos em conflito com os pais, em querer ser independente, vem os amigos e chamam pra balada, pra experimentar o álcool, experimentar a droga, e acaba se envolvendo, a partir daí é um caminho muitas vezes sem volta. Com a percepção do real cenário observado, Mascarenhas chegou a conclusão que não é era essa cidade que ele pretendia morar por muito tempo, aí define com sua tropa ter uma estabilização da segurança pública da cidade.
Com um relato surpreendente, Mascarenhas disse que nos primeiros momentos teve uma conexão muito forte com Guanambi, “uma coisa espiritual, pessoas especiais apareceram na minha vida e me fizeram ver o quão é especial a cidade de Guanambi e região”, afirma.
Estimulado a quantificar a segurança de Guanambi através de uma escala de 5 a 10, Mascarenhas, responde que “no parâmetro levando em consideração que estamos no Brasil, estamos no interior da Bahia, numa cidade de 90 mil habitantes, uma cidade com um público flutuante muito grande, diversas empresas, um desenvolvimento social muito grande, eu daria 8,5, 9,0”, avalia.
Sobre a sua visão dos profissionais da imprensa guanambiense, o Coronel, responde que sempre teve a percepção do trabalho grandioso que a imprensa exerce numa sociedade de reverberar todos os conflitos, todas as situações sociais, você passa a ter essa consciência de que se você não trabalhar junto com a imprensa vai estar fadado ao insucesso, a imprensa precisa da polícia pra divulgar as ocorrências, pra saber o que está acontecendo, como também a polícia precisa da imprensa para construir a segurança pública, que é responsabilidade de todos. A imprensa tem um poder muito forte de aterrorizar uma cidade colocando a teoria do caos como fonte de arrecadação, como fonte de audiência, mas também tem um papel social muito forte de estabilização da segurança pública.
No tocante a parceira com demais órgãos para fazer segurança pública, Arthur Mascarenhas, responde que tem uma parceria muito forte com o Ministério Público, com o poder judiciário, com a polícia civil e com os órgãos municipais, independente de partido, “todos sabem que não vim por indicação política de quem quer que seja, eu vim por indicação do comandante geral e do ato do governador do estado da Bahia, então eu me sinto muito confortável em estabelecer essa relação institucional de respeito, de cordialidade e de independência com o poder público municipal, foi assim na gestão passada do prefeito Jairo e está sendo assim na gestão do prefeito Nilo Coelho, eu acho que temos que ter uma postura republicana, pensar na sociedade, não nos interesses políticos partidários como agente público responsável pela segurança pública”, enfatiza.
Indagado sobre quem o indicou para assumir a corporação de Guanambi, o Coronel reafirma mais uma vez que foi algo espiritual, estava no comando geral, não conhecia Guanambi, havia uma possibilidade de comandar o batalhão de Jequié, mais perto da sua casa, “eu optei por Guanambi, na realidade com apenas oito meses no comando geral ei cheguei pro comandante e disse que queria ir para uma unidade comandar, ele perguntou pra onde? Eu disse Guanambi, ele disse pode arrumar suas malas, porém Cel. Marcelo foi promovido e o comandante me disse, Mascarenhas quem vai pra Guanambi é Marcelo, você ainda é Major dá um tempo, eu falei tranquilo. Eu só vim pra cá dois anos depois, e aí eu escolhi, existia algo que fazia com que eu tinha que vir para Guanambi”, confessa o comandate convicto de uma interferência Divina para trabalhar no 17º Batalhão.
Ele vai mais além e confessa, “hoje eu te digo, se hoje eu me aposentasse, que é o que não vai acontecer, eu diria que sou extremamente realizado, sem firula nenhuma, profissionalmente por comandar essa grande unidade que é o 17º Batalhão e desenvolver meu trabalho aqui na cidade de Guanambi”.
Sobre projetos a frente do comando, ele considera os que tiveram grande resultado na segurança de Guanambi, foram as operações 2 x 2, a Força Tática, a Êxodo, a Ronda Maria da Penha em Guanambi e Carinhanha, implantada há dois meses, “um sucesso absoluto”, a Ronda Rural em Carinhanha, Iuiu e Malhada, a Ronda Rural através da CETO em Guanambi, a ROTAM há dois anos em Guanambi, o treinamento dos novos oficiais com formação dos soldados no próximo ano, conseguiu dois veículos cedidos pela Justiça Federal para viatura, um veículo pela justiça estadual e outro veículo pela prefeitura municipal, fruto do leilão das motocicletas apreendidas. “O nosso objetivo é colocar policiamento 24h todos os dias em Morrinhos e Ceraíma, fechando o policiamento rural na cidade.
Quanto as ações para dezembro e 2022, Mascarenhas disse que começam pela Operação Natal no centro comercial, já com emprego dos alunos em formação mais o efetivo, porque aumenta a circulação de pessoas na cidade, e no final do ano com a chegada do réveillon e das festas em locais privados e públicos para proporcionar segurança pra população de Guanambi e região.
O fato de não haver réveillon em Guanambi, o coronel considera que por ser muito grande causa muita preocupação por ter uma concentração muito grande, mas quando não tem o réveillon concentrado em um local, vai ter festas isoladas por todo o município, na cidade, na zona rural, nos clubes, nas casas de shows, tendo que disponibilizar grande efetivo para que tenham uma abrangência maior em todas as festas populares do município. Para ele, acaba prejudicando muito mais do que beneficiando. Mascarenhas disse que já estão chegando muitos ofícios todo final de semana antes mesmo do réveillon, “uma quantidade absurda de ofícios solicitando policiamento para festas tanto na zona rural como em outros municípios, Matina mesmo tenho uma quantidade muito grande, como aqui na cidade de Guanambi”.
A quantidade de eventos aumentou devido a média móvel da covid-19 está muito baixa no município, o coronel também atribui a eficácia da vacina e conclama à população que realmente se vacine porque é impressionante a eficácia disso, “só pra se ter uma idéia, antes da vacina a gente teve dos 258 policiais do batalhão 50 policiais contaminados, hoje a gente não tem nenhum”, relata.
Em 2022 Arthur Mascarenhas conta que a PM está se preparando, “será um ano que vai ter a copa do mundo, eleições presidencial e estadual, o carnaval ainda é uma incógnita, vamos ter um acréscimo de quatro viaturas, acréscimo do efetivo e vai ter implantação das câmaras de reconhecimento facial na cidade e de reconhecimento de placa de veículos furtados e roubados”.
Indagado a fazer uma avaliação sobre os resultados do CPM Josefina, ele responde que tem sido avaliado com grande prejuízo devido não ter às aulas presenciais que são aplicados os valores éticos, morais. “Vamos ter uma avaliação mesmo quando retornar no início do próximo ano”. O comandante visa conversar com a prefeitura pra implantar mais um CPM, porém precisam procurar um local de extrema vulnerabilidade.
Quanto a resistência à filosofia militar por algumas pessoas, o coronel responde que é natural que tenham pessoas com o ponto de vista contrário a essa implantação, mas estas pessoas antes de tecerem críticas deveriam ir lá conhecer, conversar com a gente, pra mostrar pra elas que não é nada extremamente rigoroso para os alunos, muito pelo contrário, o tratamento com estes alunos é de muito respeito e com muito carinho, apenas ampliamos a questão disciplinar e os valores éticos e morais de cidadania, de respeito e direitos humanos.
Coronel também fala sobre o baixo número de homicídios, “2022 será de grandes desafios porque quando a gente reduz significativamente os índices de ocorrência, qualquer índice que venha a acontecer causa um impacto em termos percentuais muito grande, se em oito meses temos dois homicídios, e tivermos quatro, aumenta em 100%, e a gente acaba acendendo a luz vermelha quando as pessoas olham em termos percentuais, mas pela tendência do setor de inteligência e operacional há uma tendência de estabilização por um longo período. “Guanambi é uma das poucas cidades no estado da Bahia que tem essa numeração tão reduzida de homicídios”, enfatiza.
Mascarenhas também fala da estabilização dos homicídios das outras cidades pertencentes ao batalhão, “apenas Carinhanha tinham um número alto de homicídios na zona rural, foi feita a implantação das rondas rurais e de cinco meses para cá houve apenas um homicídio”.
Sobre a transferencia de Aldo Berto Castro Delton, Mascarenhas disse ainda não foi transferido, ele tem nove mandados de prisão em aberto, e ainda não foi recambiado para a Bahia, continua em Santa Catarina e cabe a polícia civil determinar a escolta de Salvador para buscá-lo. Dê um clique e assista a entrevista e veja o que Vovó Dudu de Pilões falou sobre o comandante Arthur Mascarenhas.

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Edição: Neide Lu (MTBE 06466) / Portal Fala Você Notícias