“Escrevo desde sempre, desde muito novinho de forma despretensiosa, sempre tive dificuldade de registrar os meus escritos, escrevi de forma livre por prazer mesmo”.
Foi neste clima da arte de escrever por prazer, que recebemos em nosso programa Fala Você desta quarta-feira, 16, o artista literário Filipe Cotrim, coautor de 08 coletâneas de poemas no último ano. Que também foi um entre os cinco selecionados do II prêmio literário Expressividade da Editora Catarinense Expressividade.
Filipe contou que em 2009, teve a oportunidade de participar de um concurso de redação lançado pela prefeitura de Guanambi na categoria Conto, no qual, teve a honra de alcançar o primeiro lugar. A partir deste episódio, ele percebeu que tinha um talento para a escrita, passando a se dedicar mais a esta arte encantadora. Além disso, ele também falou que já escreveu para colunas de sites sem intenção de receber algum retorno financeiro, apenas como voluntário, revelando para si mesmo, o quanto era movido por a paixão pela escrita.
Em 2020 participou da Coletânea do Coletivo Ir Sendo, por meio de um projeto cultural da prefeitura de Guanambi que ocorreu através da Lei Aldir Banc, (de apoio a cultura) na qual despertou em Filipe o gosto em participar de editais de outras coletâneas. Atualmente ele está participando de oito Coletâneas que já foram publicadas, e aguarda a aprovação para a participação em algumas que ele se inscreveu também recentemente.
No ano de 2021, Filipe participou da Coletânea “É tempo de Natal” da editora Expressividade de Santa Catarina, além da seleção para a publicação do poema no livro, havia também o prêmio Expressividade que era a nível nacional, o qual teriam cinco textos selecionados, sem imaginar na possibilidade de ganhar o prêmio, ele foi surpreendido com a notícia de que além de ter tido o poema aprovado para a publicação no livro, havia ganhado também a premiação entre os quatro escolhidos. O texto que fez o jovem escritor ganhar o prêmio, ganhou espaço na coletânea “Um natal mais que especial” da editora Perci e em outras diferentes. Filipe também lançou o poema “Imersão” o mesmo que entrou na antologia do “Boteco Poético” de Guanambi, e também publicado na coletânea da Editora HS e Terra dos ventos.
De acordo com Filipe, antes das publicações que ele conseguiu nas coletâneas, desacreditava do potencial que os seus escritos tinham, mas que após iniciar as participações nos editais das coletâneas, percebeu à proporção que aquilo estava tomando em sua vida e confessou com muita alegria e entusiasmo está aberto a novas oportunidades para publicação de novos textos.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e confira na íntegra o nosso bate-papo com o artista poético Filipe Cotrim.
Perfil do entrevistado: Filipe Cotrim é artista literário, coautor de 08 coletâneas de poemas em 2021, foi um entre os cinco selecionados do II prêmio literário Expressividade da Editora Catarinense Expressividade, Pedagogo pela UNEB Campus XII, Licenciado em Letras e Pós Graduando em Educação Digital pela UNB.
POEMAS DE FILIPE COTRIM
Natal lá de casa
Um terço, uma reza, um aprontar-se,
Amontoados de cadeiras velhas, tal qual uma colina,
Sob o tecido marrom em cor de barro,
Ornava-se o presépio abrolhado pelas mãos de Maria.
As rugas de quem nunca abnegou-se a promover encontros,
As mãos maduras, face sofrida e sorriso em contraste,
Os adornos e luzes tirados de caixas em meio a poeira,
O aroma de vida pairava no ar de sua sala.
A prole jogada sobre o chão lavado,
Ainda molhado, para conter o ardume do sol do dia,
As cóssegas e tatos de quem se ama e se preza,
Os cheiros e abraços, presentes de vó Maria.
Sorrisos banguelas, riso alto e contentamento,
abraços quentes, crianças em colos, amor e zelo,
As viagens pelas histórias ali contadas,
Nasciam as prosas alimentadas por devaneios.
A mesa farta, tal qual um jantar real,
Onde o amor a todo tempo era servido,
Nada me fazia duvidar da eternidade daquela magia,
Assim fazíamos o Natal lá de casa, casa de Maria.
IMERSÃO – Filipe Cotrim
A gente sente, não escolhe sentir,
Mas sente, somente.
Se imerge, se perde, mas sente.
E sentindo a gente vive.
Porque viver se resume em sentir,
Para alguns, uns apenas existem.
Resistem.
À dor que surge tal qual uma lâmina,
Nos corta, dilacera,
Mas some,se esvai,
Porque a gente sente.
O corpo? Performa, se manifesta,
numa gota salgada, fria, que alivia.
O sentir liberta, desnuda, desvela,
Revela.
Porque a gente pulsa ,por vezes, desaba.
Levanta, sorri,
Divide dores, se abraça
E ali o mundo acaba .
O resto? some,
E a gente só sente, o presente.
Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias