Especialistas em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial esclarecem dúvidas sobre DTM

23 de fevereiro de 2022

Os entrevistados do nosso programa Fala Você Notícias desta quarta-feira (23) foram Dra. Ana Carolina e Dr. Paulo Queiroz. Eles esclareceram dúvidas acerca da DTM (Disfunção temporomandibular), que é uma doença de alta prevalência entre a população.

Dr. Paulo explicou que a DTM é caracterizada pela disfunção de uma articulação que fica próxima ao ouvido, que é a do maxilar inferior com o osso do crânio. Composta por ligamentos, disco articular, musculatura, fluídos, capsulas e todo o aparato que faz com que ela se movimente.

Além disso, Dr. Paulo também defende que a DTM é uma doença que tem se manifestado ainda mais após o advento da pandemia. E, ainda, relata que, atualmente, os pacientes que sofrem com este problema enfrentam duas dificuldades principais: a primeira é de achar um diagnóstico, uma vez que, antes de irem a um cirurgião dentista, que é o profissional adequado, muitos pacientes vão a vários outros e não conseguem ser diagnosticados, pois se trata de uma disfunção multifatorial que está interligada a outras doenças como, por exemplo, distúrbio do sono, cefaleias, dores no ouvido e dores de cabeça. A segunda é a de realizar o tratamento.

De acordo com a Dra. Ana Carolina, um dos motivos que fazem com que o diagnóstico não seja identificado de imediato é o fato dessa disfunção provocar dores, mas que nem em todos os casos isto acontece, tornando o diagnóstico e o tratamento ainda mais difíceis em caso de dores crônicas ou agudas. Por isso, menciona sobre a importância de os pacientes observarem os sinais e sintomas referentes a dor, como, por exemplo: estalos ao abrir e fechar a boca, desvios da mandíbula e ruídos na região do ouvido também ao abrir e fechar a boca, pois destaca que são sinais e sintomas fundamentais para que os pacientes percebam que há algo diferente. Ela também pontua que a mordida errada do alimento pelo paciente também pode ocasionar a doença.

Dr. Paulo aponta que o estilo de vida também pode contribuir para disfunções caracterizadas por dores, como a DTM, ao justificar que pessoas que são sedentárias, que não praticam atividades físicas e que não têm uma alimentação saudável, são propícias a desenvolver distúrbios na produção de neurotransmissores, como a serotonina e a endorfina, fazendo com elas sejam mais sensíveis a desenvolver dor. E pontuou que a dor se auto alimenta, ou seja, quanto mais dor a pessoa sente mais irá sentir, e, explica que isso ocorre por causa da hipersensibilidade dos neurotransmissores à capitação de estímulo. E ele explica que o panorama atual do estilo de vida das pessoas é algo que favorece o crescimento da doença, porque as pessoas não estão exercitando o corpo, deixaram de fazer coisas agradáveis para elas e deixaram de viver em uma condição mais feliz, até mesmo pelo fato de terem perdido amigos e familiares por causa da pandemia.

Pelo fato de algumas pessoas pensarem que o bruxismo e DTM se tratam da mesma patologia, Dra. Ana Carolina esclarece que são doenças diferentes e explica que o bruxismo pode estar muito relacionado a DTM, isso acontece porque quando o paciente apresenta o bruxismo do sono ou em vigília, que se tratam dos sinais e sintomas durante o dia, ele pode desencadear sintomas e sinais de uma DTM, por exemplo, quando o paciente está com bruxismo e sente dor na região da face ao acordar, pois a musculatura está dolorida, fator que pode ser considerado um sintoma de DTM, assim como um paciente que tem DTM também pode apresentar um bruxismo.

Dra. Carolina ressalta que a faixa etária que mais é acometida pela DTM é a de pessoas entre 35 e 40 anos, pois, nas crianças, quando ela se manifesta, o corpo rapidamente se adequa. Já, nos idosos, existe uma probabilidade menor dela ocorrer justamente porque os ossos geralmente já estão fracos, fazendo com que diminua a chance de apresentação de hiperatividade da musculatura. E, para complementar esta fala, Dr. Paulo esclarece que de acordo com um estudo realizado no Brasil, 50% da população adulta são os mais afetados pela DTM, e, logo após, 30% são adolescentes, algo que está relacionado a carga emocional vivida por este público, como, por exemplo, o estresse. E que apenas 16% são referentes ao idoso, sendo que as crianças são as menos afetadas, pela facilidade da adaptação da articulação. Estes fatores explicam o fato de alguns pacientes terem sinais de DTM, mas, porém, não sentem dor.

Contudo, os cirurgiões concluem que a DTM é uma doença que, apesar de não ter cura, tem o tratamento que mantém os pacientes assintomáticos e com todas as funções preservadas. E, ao manter estes cuidados, frequentando o especialista certo, os pacientes conseguem viver melhor e com mais qualidade de vida e bem-estar.

Dê um clique no vídeo e saiba mais detalhes dos principais fatores que podem ocasionar a DTM, a forma de tratamento e as dúvidas mais recorrentes trazidas pelos ouvintes sobre este assunto.

 

Perfil dos entrevistados:

Dra. Ana Carolina Fraga Fernandes

– Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná;

– Colaboradora do Ambulatório de Disfunção da Articulação Temporomandibular do projeto de extensão da UNIOESTE (2018-2020) para atendimento dos pacientes com queixas de alterações e dor na ATM.

Dr. Paulo Ribeiro de Queiroz Neto

– Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Universidade Federal da Bahia / Hospital Santo Antônio (OSID);

– Pós Graduado em Cirurgia Ortognática pela JRG Ensino/ Araraquara-SP.

Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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