No dia em que completou 4 meses do assassinato brutal das jovens Alcione Malheiros (mãe), 42 anos, e Ana Júlia Malheiros (filha), 16 anos, o ‘Movimento do Luto à Luta’, realizou o 4º Encontro de Orações. O movimento agora começa a percorrer distritos e bairros de Guanambi no intuito de deixar claro para a comunidade a necessidade da instalação da Delegacia Especial da Mulher (Deam) e a importância dos esclarecimentos do crime para as autoridades policiais e justiça. São poucos os avanços no tocante aos esclarecimentos dos assassinatos, a justiça ainda continua lenta, não foi realizado a quebra de sigilo telefônico, nem houve a reconstituição do crime. Tem sido unânime a espera do desvendamento do crime pela população de Guanambi.
Grande representação da comunidade de Morrinhos se fez presente nesta terça (12), às 20h, na praça do Mercado Municipal para o 4° Encontro de Orações, que foi conduzindo pelo Pr. Edilvan dos Santos Cruz (Pr. Dil) da Igreja Pentecostal Nenhuma Condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Dil), pelas Pra. Rosana e Vilma, e os Prs. Joari, Vitor e Wilson das Igrejas Evangélicas do Distrito. Hinos e louvores foram entoados em uma noite que todos se reuniram para pedir paz e acabar com machismo estrutural existente, através das passagens bíblicas explanadas pelos pastores e pastoras.

Momentos da celebração
O pastor Edilvan dos Santos Cruz (Pr. Dil) da Igreja Pentecostal Nenhuma Condenação há para os que estão em Cristo Jesus, deixou muito claro sobre a importância da mulher como um “ser independente”, que possui os mesmos direitos que os homens, e que Deus fez as mulheres para serem companheiras dos homens, rogou pela paz e justificou a importância do Encontro de Orações para sensibilizar autoridades e políticos para promoção de políticas publicas que protejam à mulher.

Edilvan dos Santos Cruz (Pr. Dil).
Sensivelmente a pastora Rosana, disse que não gostaria de estar na praça em decorrência do que ocorreu [assassinato de Alcione e Ana Júlia], mas já que ocorreu, “é uma oportunidade de falar com Deus para rogar pelas famílias e não deixar que o inimigo entre em suas vidas”.

Pastora Rosana.
O Pr. Wilson, afirmou que tem visto que é uma luta, mas que terá vitória, e enalteceu às mulheres por fazerem parte, em grande quantidade, do ministério de Jesus.

Pr. Wilson.
A Pra. Vilma, abriu sua pregação pontuando sobre a espera da justiça Divina e da justiça humana sobre o assassinato; Chamou a atenção das mulheres sobre a importância de se valorizarem mais, para combater a discriminação que se arrasta ao longo da história; trouxe como exemplo a história bíblica feminina de compaixão e o amor entre Noemi e sua nora, Rute, estimulando os presentes a abraçarem a causa, ou seja, os objetivos do Movimento; a pastora foi clara ao comentar sobre os abusos de maridos para com as esposas, e reforça para às mulheres que “não dá mais para serem tolerados, abram a boca, procurem ajuda”; se compadeceu com o sofrimento da família de Alcione e Ana Júlia e amorosamente pediu para esperarem justiça com amor nos corações; finalizou a sua pregação voltando as atenções para à violência doméstica que existe e pediu aos homens que tratem bem suas companheiras, “porque ninguém é de ninguém, se não quiser que ela vá embora, trate bem”.

Pra. Vilma.
Nesta noite, o Movimento do Luto à Luta foi representado por Míria Paes, vereadora Procuradora da Mulher de Guanambi, Maria Silvia Lilia, vice-presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Costa, vereador membro da Comissão de Justiça da Câmara, familiares das vítimas: Quésia, Junior, Isabela e Marlon Malheiros, Edésia Lisboa, presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher de Guanambi e Neide Lu, jornalista.

Dentre as principais ações do Movimento do Luto à Luta está previsto uma reunião geral com todos os órgãos da rede e a realização do I Fórum de Segurança Pública de Guanambi que ocorrerá no mês de maio.

Andamento do processo
A vara crime de Guanambi está atualmente com um juiz substituto com várias comarcas em sua responsabilidade, por consequência disso, há uma demora prolongada na agilidade da investigação das provas que são relevantes para a realização do processo. Lamentavelmente, tem quase um ano que Guanambi está sem um juiz permanente na Vara crime, o Tribunal de justiça já abriu três editais mais não houve preenchimento da vaga. O processo se encontra na promotoria Pública, que recusou no mês passado a um pedido de soltura do autor do crime, pela Defensoria Pública de Guanambi.
Na Delegacia de Polícia de Guanambi, o Departamento de Polícia Técnica aguarda o resultado da quebra de sigilo do aparelho celular do autor do crime que foi para Salvador, assim informou o coordenador da 22ª Coorpin Guanambi, Dr. Clécio Magalhães.
Qual a finalidade do movimento?
O Movimento “Do Luto à Luta” tem buscado, por meio de reuniões lideradas por representantes da rede de combate a violência contra à mulher, em parceria com o setor educacional, a efetivação da disciplina Educação e gênero na rede educacional de Guanambi, pública e privada, ensino básico e universidades, que vise a desconstrução da cultura do machismo estrutural. Bem como, a implantação do CRAM (Centro de Referência ao Atendimento à Mulher), instalação de um serviço de apoio às mulheres e famílias vítimas de violência; construção do mapa da violência contra as mulheres em Guanambi e região; e a implantação da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) pelo governo do estado da Bahia.
Constituição do Movimento
O Movimento Do Luto à Luta é constituído por familiares de Alcione e Ana Júlia, Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, representantes religiosos e populares.
Órgãos que compõem a rede de proteção às mulheres vítimas de violência em Guanambi
Procuradoria da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher –CMDDM, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, Ministério Público, Delegacia de Polícia de Guanambi, Defensoria Pública da Bahia, 17º Batalhão de Polícia Militar da Bahia, Centro Integrado de Comunicação – CICOM 190, Ronda Maria da Penha PM, Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, CREAS, Secretaria de Educação, Secretaria de Saúde, Instituto Médico Legal, Justiça Vara Crime, Hospital Geral de Guanambi, UPA 24 horas, Uneb, UniFG, Unopar, escolas particulares e igrejas.
Denúncias anônimas de abuso e violência contra à mulher, entre em contato:
Zap Respeita as Minas: Orientações, informações, denúncia sobre violência doméstica e muito mais. É só acionar (71) 3117-2815 e entrar em contato.
Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
CICOM (Centro Integrado de Comunicação ) Polícia Militar – 190
Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Guanambi – (77) 3451-3626 (Gabinete Vereadora Míria Paes)
Zap da Procuradoria da Câmara de Guanambi – 77 9.9998-1564
Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi – (77) 3451-1994.
Dados reais sobre a violência na Bahia
De acordo o levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, responsável pela pesquisa, os dados são estarrecedores sobre à violência contra à mulher na Bahia em 2021, registrando um caso de violência contra a mulher a cada dois dias. O estado ocupou o quarto lugar no índice nacional de vítimas, ocorrendo 66 feminicídios, 50 agressões e tentativas de feminicídios e 29 estupros. Outros quatro tipos de violência contra a mulher ainda foram denunciados: 55 homicídios, 13 tentativas de homicídios, 7 torturas, cárceres privados e sequestro, 6 agressões verbais e ameaças. Somando os casos de balas perdidas e os considerados como outros, 232 eventos de violência foram contabilizados.
Assista o vídeo do culto do Encontro de Orações
Edição: Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias