5º Encontro de Orações foi celebrado pela comunidade católica de Ceraíma; Movimento do Luto à Luta continua firme nas orações para esclarecimentos do crime

12 de maio de 2022

Já se passaram 5 meses do assassinato de Alcione Malheiros e filha, Ana Júlia. O 5º Encontro de Orações que marca essa data, traz junto a sociedade civil com engajamento também das instituições religiosas o trabalho de proteção à mulher com os esclarecimentos acerca do evangelho. Nesta quinta-feira, 12 de maio, às 20h, nas dependências da subprefeitura, aconteceu a celebração em Ceraíma, através da coordenação da Neide Santos, da Paróquia São Geraldo Majella.

                        

A explanação do evangelho por Neide Santos trouxe a reflexão, sobre a passagem “felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (Mt 5,6)”, que está inserido no Sermão da Montanha, sendo enfatizado pela celebrante sobre o caminho da santidade, que para isso precisa passar pelos caminhos atribulados, mas haverá uma recompensa no céu. “A fé, a esperança e o ânimo, porque acima de tudo existe um Deus, porque Jesus está entre nós”, assim encoraja os familiares de Alcione e Ana Julia, pedindo para confiar em Deus, pois sabe da morosidade da justiça, “mas é preciso cuidar das famílias que aqui estão”, orienta Neide Santos. 

O Professor de Ana Júlia, Ronaldo Soares, que acompanha desde a passeata aos encontros, traz uma explanação sobre a frase “a paz é fruto da Justiça”, dando idéia aos presentes pra que se faço algo preventivo sobre a violência doméstica que acomete nos lares. Ele pontua sobre a crise de valores existentes no lares, e aí pede ao pais que corrijam seus filhos com carinho, explicando o porquê do erro. Pediu aos pais para ficarem atentos as músicas ofensivas às mulheres que são tocadas nas rádios, buscando esclarecer para seus filhos sobre o conteúdo cantado.

A irmã de Alcione, Quésia Malheiros, agradeceu as vereadoras presentes, aos organizadores locais: Neide Santos e comunidade católica, ao Vanderlei Florêncio, Luana e Pedro, membros da comunidade. Ela enfatiza sobre a dor vivida pela perda das entes queridas e que essa perda pode ser transformada em segurança para outras mulheres que estão desprotegidas pela sociedade, e pede a ajuda de todos para que a instalação da Delegacia Especializada da Mulher (DEAM) em Guanambi aconteça.

Acompanhando o movimento, a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, Edésia Lisboa, a procuradora da Mulher de Guanambi da Câmara, vereadora Míria Paes, a vice-presidente da Câmara de Vereadores de Guanambi, Maria Silvia Lilia, a vereadora Eponina Gomes e o secretário de Agricultura de Guanambi, Vanderlei Florêncio.

Andamento do processo

O processo do crime contra Alcione Malheiros e Ana Júlia, se encontra na Vara Crime de Guanambi, aguardando o despacho do juiz para o termino das investigações. Já esteve na promotoria pública e na Defensoria Pública de Guanambi, ocorrendo despachos.

Na Delegacia de Polícia de Guanambi, o Departamento de Polícia Técnica aguarda o resultado da quebra de sigilo do aparelho celular do autor do crime que foi para Salvador, assim informou o coordenador da 22ª Coorpin Guanambi, Dr. Clécio Magalhães.

Qual a finalidade do movimento?

O Movimento “Do Luto à Luta” tem buscado, por meio de reuniões lideradas por representantes da rede de combate a violência contra à mulher, em parceria com o setor educacional, a efetivação da disciplina Educação e gênero na rede educacional de Guanambi, pública e privada, ensino básico e universidades, que vise a desconstrução da cultura do machismo estrutural. Bem como, a implantação do CRAM (Centro de Referência ao Atendimento à Mulher), instalação de um serviço de apoio às mulheres e famílias vítimas de violência; a construção do mapa da violência contra as mulheres em Guanambi e região pelo Observatório UniFG do Semiárido Nordestino – OFGSN; e a implantação da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) pelo governo do estado da Bahia.

Constituição do Movimento

O Movimento Do Luto à Luta é constituído por familiares de Alcione e Ana Júlia, Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, Observatório UniFG do Semiárido Nordestino – OFGSN, representantes religiosos e populares.

Órgãos que compõem a rede de proteção às mulheres vítimas de violência em Guanambi

Procuradoria da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher –CMDDM, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, Ministério Público, Delegacia de Polícia de Guanambi, Defensoria Pública da Bahia, 17º Batalhão de Polícia Militar da Bahia, Centro Integrado de Comunicação – CICOM 190, Ronda Maria da Penha PM, Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, CREAS, Secretaria de Educação, Secretaria de Saúde, Instituto Médico Legal, Justiça Vara Crime, Hospital Geral de Guanambi, UPA 24 horas, Uneb, UniFG, Unopar, escolas particulares e igrejas.

Assista o vídeo do 5º Encontro de Orações, clique no link abaixo:

https://www.instagram.com/tv/CdejULxqIi1/?igshid=YmMyMTA2M2Y=

Denúncias anônimas de abuso e violência contra à mulher, entre em contato:

Zap Respeita as Minas: Orientações, informações, denúncia sobre violência doméstica e muito mais. É só acionar (71) 3117-2815 e entrar em contato.

Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180

CICOM  (Centro Integrado de Comunicação ) Polícia Militar – 190

Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Guanambi – (77) 3451-3626 (Gabinete Vereadora Míria Paes)

Zap da Procuradoria da Câmara de Guanambi – 77 9.9998-1564

Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi –  (77) 3451-1994.

 Dados reais sobre a violência na Bahia

De acordo o levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, responsável pela pesquisa, os dados são estarrecedores sobre à violência contra à mulher na Bahia em 2021, registrando um caso de violência contra a mulher a cada dois dias. O estado ocupou o quarto lugar no índice nacional de vítimas, ocorrendo 66 feminicídios, 50 agressões e tentativas de feminicídios e 29 estupros. Outros quatro tipos de violência contra a mulher ainda foram denunciados: 55 homicídios, 13 tentativas de homicídios, 7 torturas, cárceres privados e sequestro, 6 agressões verbais e ameaças. Somando os casos de balas perdidas e os considerados como outros, 232 eventos de violência foram contabilizados.

Edição: Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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