A participação feminina na política brasileira ainda é um desafio a ser enfrentado, pois, existem raízes do patriarcado que as impedem de exercer a sua representatividade social dentro dos poderes instituídos. E, para discutir sobre essa problemática que será enfrentada pelas mulheres nas eleições de 2022, recebemos no programa Fala Você Notícias desta quinta-feira (23), a socióloga Camila Ávila.
A socióloga Camila Ávila explica que, embora as mulheres tenham conquistado alguns direitos, inclusive, provenientes de uma luta que se consolidou no Brasil na década de 80 e que só foi surtir resultados em 2000, com a criação da Lei Maria da Penha, ainda assim, há muito o que se avançar: “Durante este período de 80 a 90, o movimento feminista não conseguiu avançar na agenda decisória, justamente porque os presidentes que entraram tinham uma certa resistência a alguns temas, principalmente, porque o feminismo é algo polêmico. Por isso, houve uma certa resistência”, esclareceu.
Camila Ávila acredita que a principal causa da estagnação relacionada à criação de mais políticas públicas voltadas para as mulheres está ligada à falta de sub-representatividade, já que, para ela, não tem como falar em democracia quando não há no eleitorado uma maioria representada por mulheres: “Nós temos, como exemplo, Guanambi, já que na Câmara de 15 vereadores, apenas 3 são mulheres”, destacou. Ela também citou o número baixo de mulheres na Assembleia Legislativa da Bahia, que corresponde apenas a 10 mulheres de 63 deputados homens, bem como, somente 15% representam as mulheres deputadas no Brasil e, dentro do Senado Federal, são, em média, 81 vagas e, dentre elas, apenas 15 são ocupadas por mulheres. Em relação aos números citados, a socióloga afirma que, há um tempo atrás, o número de mulheres na política era ainda mais baixo do que hoje.
Camila diz que foi criada uma bancada feminina suprapartidária no Senado Federal para unir todos os partidos com a finalidade de convidar a população para debater sobre os direitos das mulheres e também o de estarem mais na política.
A socióloga esclarece que, embora as pessoas mencionam que as vagas para as mulheres participarem da política estão abertas e que, aparentemente, não há nada que possa impedi-las de se inserirem na política, a verdade é que existem, na estrutura política, barreiras patriarcais que impedem as mulheres de atuarem, e, para ilustrar este argumento, ela citou: “Nós temos o caso do banheiro feminino do Plenário Federal que só foi construído em 2016, ou seja, o Congresso tem um plenário que é do Senado e não existia um banheiro feminino antes de 2016. Então, a política não foi pensada para as mulheres. A gente está entrando e metendo o pé na porta e criando as nossas próprias regras e tendo que trazer a nossa realidade para dentro da política”, concluiu.
Para Camila, é importante que tenham mais mulheres na política, porque, apenas elas vivem na pele os inúmeros problemas sociais sofridos, a exemplo da desigualdade de gênero, dificuldades de ocuparem outros espaços, assim como, a violência doméstica e sexual. Desta forma, a socióloga faz um apelo às mulheres para votarem em mulheres, pois, são elas que irão levar as questões citadas ao debate político para serem colocadas em pauta em busca de mais políticas públicas em prol de mudanças em relação à lamentável realidade.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e acesse, na íntegra, a entrevista com a socióloga Camila Dávila e fique por dentro de tudo que ela falou sobre os principais desafios das mulheres nas eleições 2022.

Assista o vídeo da entrevista
Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias