Advogado analisa o caso de violência contra a procuradora Gabriela Samadello do interior de São Paulo

27 de junho de 2022

Na segunda-feira, dia (20), a procuradora Gabriela Samadello Monteiro de Barros foi espancada pelo seu colega de trabalho, Demétrius Oliveira Macedo, durante o expediente na Prefeitura de Registro, localizada no interior de São Paulo. Para falar sobre este tipo de violência sofrida pela procuradora Gabriela, foi promovido, no Fala Você Notícias desta segunda-feira (27), um papo jurídico com o advogado e também diretor da UESPI, Dr. Alcir Rocha.

Como divulgado em outros veículos de comunicação, o procurador Demétrius, acusado de ter agredido sua colega de trabalho, justificou à polícia o ato dizendo ter sofrido assédio moral dentro do ambiente que trabalhava. Ao tecer comentário sobre a referida versão do agressor, Dr. Alcir Rocha afirma que a violência deve ser encarada como um despreparo para a convivência em sociedade: “Se a pessoa pensa que deve resolver as coisas na base do ferro e do fogo, ela precisa buscar ajuda psicológica e psiquiátrica para realizar um tratamento”, disse. Ele reforça que a violência jamais deve ser uma forma de solucionar qualquer tipo de problema, mas sim, utilizar meios cabíveis. Desta forma, Dr. Alcir explica que, se uma pessoa sofre assédio moral no ambiente de trabalho, o correto é gravar o ato e mover uma ação contra quem está cometendo.

Dr. Alcir Rocha disse que todas as vidas importam e que, por isso, atos de violência como o que ocorreu com a procuradora e também os que aconteceram em Guanambi, recentemente, não são ideais para se conviver. Alcir Rocha comenta que as pessoas sempre procuram artifícios para justificar a violência, mesmo ocorrendo em ambientes mais pacíficos, como o que se passou na procuradoria de Registro.

Ao falar sobre o contexto trabalhista em que a mulher está inserida atualmente, Alcir Rocha lembra que a maioria dos chefes no mercado de trabalho são homens e que, por consequência disto, para muitos homens, a figura de uma mulher em um cargo de liderança é algo que incomoda: “Eu, particularmente, penso que o Demétrius pode ter algum problema comportamental. Pode ter algum transtorno, mas, a fala para justificar a violência, ao relatar que a chefe assediava ele, perde-se a referência e a linha de raciocínio, porque não estamos falando de uma pessoa inculta; de uma pessoa sem informação; de uma pessoa que trabalha em uma atividade braçal e que não perpassou pelos ambientes escolares, mas sim, de alguém que tem informação; que entende de Direito e que sabia o que estava fazendo ali. Então, eu vejo, completamente, como injustificada esta violência do Demétrius em razão da procuradora”, salientou.

Dentre os diversos tipos de violência, Dr. Alcir destaca que a que mais ocorre em ambientes de trabalho é a violência psicológica, e, ressalta que a violência psicológica nos relacionamentos íntimos acontece antes da física. Portanto, o advogado Alcir Rocha detalha que há muitas pessoas que são líderes no mercado de trabalho, mas que não têm a capacidade de liderar, já que as pessoas precisam de uma boa condição física e psicológica para serem produtivas e que não é somente chegar gritando, colocando pressão, ameaçando e ameaçando demitir: “Com as mudanças processuais que nós tivemos no Brasil, se tornou mais difícil apurar determinados casos desta violência moral dentro do ambiente de trabalho, porque a pessoa que manipular a ação e não conseguir os elementos probatórios, ela acaba pagando por aquela ação. Então, muitas pessoas hoje já estão desestimuladas a manejar uma ação, porque você procura um advogado, faz a ação e, de repente, você não consegue provar, para aquela empresa; para aquele empregador. Mas este assédio que o Demétrius alega, ele existe sim”, concluiu.

Portanto, em relação ao tipo de violência aplicada pelo agressor de Gabriela, Dr. Alcir Rocha elucida que, pelo fato dele ser um agente público, em razão da agressão cometida, certamente ele pode ser demitido, pois, sendo um servidor público, as Legislações Federal, Estadual e Municipal deixam claro que, em casos de agressão, o servidor deve sim ser demitido. Além disso, a vítima pode pedir o afastamento do agressor do trabalho. Desta forma, tendo este que procurar outro ambiente para desempenhar suas atividades.

Dê um clique no vídeo ou no áudio e acompanhe, minuciosamente, as colocações do Dr. Alcir Rocha sobre o caso de violência contra a mulher que ocorreu na cidade de Registro, em São Paulo, bem como, sobre qual tipo de conduta a mulher pode tomar em casos de violência no âmbito trabalhista ou em qualquer outro ambiente.

 

Assista o vídeo da entrevista

Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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