A dependência emocional diz respeito ao apego exagerado a alguém. Ela acontece, principalmente, em relacionamentos amorosos, fazendo com que haja desgaste nas relações e desequilíbrio emocional. Para tratar sobre este assunto, a psicóloga Maria de Lourdes apresentou, no Fala Você Notícias desta sexta-feira (1), uma série de sinais que caracterizam este problema, bem como, as possíveis origens desta problemática e de que forma a terapia pode ajudar a superar esta questão.
Conforme explicou a psicóloga Maria de Lourdes, a pessoa que tem dependência emocional trata-se de alguém que depende de outro indivíduo para ser feliz. Além disso, permite com que as outras pessoas afetem seus sentimentos e suas emoções. Bem como, deposita uma perspectiva de felicidade muito grande a partir do outro.
Maria Lourdes afirma que a dependência emocional é um fator que afeta a autoestima, fazendo com que a pessoa entre em colapso emocional: “Se a pessoa que tem uma dependência emocional muito intensa do parceiro percebe que o relacionamento está acabando, ela começa a entrar em colapso emocional, sendo um sofrimento e uma dor muito grande pra essa pessoa”, explicou.
Codependência e sua ligação com fatores emocionais desencadeados na infância
Em relação às possíveis origens da codependência, a psicóloga explica: “Conforme os teóricos que estudam o desenvolvimento humano, um deles é John Bowlby, que traz a Teoria do Apego, ele diz que quando o bebê humano nasce estabelece vínculos que podem ser positivos, os quais são seguros, ou podem ser vínculos frágeis, evitativo ou ambivalente. Então, essas relações começam a se originar desde a infância, porque o bebê humano é muito vulnerável, pois, depende de tudo: depende que o alimente; que deem banho; que cuidem dele. Desta forma, a origem se inicia da forma em que essas relações se estabelecem”, esclarece.
Ela relata também que para um bebê humano a solidão é muito assustadora porque ele depende do outro. Sendo assim, o mecanismo de dependência faz com que ele vá utilizando estratégias para ir se adaptando nas relações: “Só que, quando a gente cresce, se a gente não teve uma relação positiva nesta fase de adaptação do primeiro ano da infância, a gente termina transferindo essas estratégias para uma dependência emocional”, elucida.
Maria de Lourdes pontuou alguns dos sintomas da codependência emocional, que são: concordar com tudo que a pessoa amada diz por medo de a contrariar ou de a perder; dificuldade em tomar suas próprias decisões; imenso desconforto quando está longe da pessoa amada; dificuldade em prosseguir com projetos pessoais; se sujeitar a situações humilhantes e constrangedoras na esperança de manter a pessoa que se ama por perto; não se sentir amado e nem valorizado (criando a crença do desamor e do desmerecimento); falta de confiança nos próprios sentimentos, necessitando, a todo momento, que outras pessoas reforcem seus sentimentos; medo de ficar sozinho (sentindo um vazio muito grande); necessita da aprovação do outro quando coloca uma roupa; insatisfação; tédio; vazio emocional; intolerância a frustração; emoções negativas e desejo de autodestruição; conflitos de identidade; cuidado excessivo com o parceiro; baixa estima; repreensão das próprias emoções; controle compulsivo, podendo ocasionar o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo); excesso de ciúmes; sentimentos de culpa e de incompetência; como também, oscilação no amor.
Para suprir a falta do outro, em sua ausência, as pessoas que são dependentes emocionalmente de alguém utilizam alguns mecanismos de substituição que, geralmente, são usados também no período da infância, porém, através de meios diferentes. A primeira estratégia é o choro, quando a criança o utiliza por medo de ser abandonada, mas, ela a substitui por algum objeto tradicional, que pode ser a chupeta, um urso ou uma roupa que tem o cheiro da mãe, como forma de a consolar até a mãe voltar pra casa. Já, na fase adulta, o objeto de transição para suprir a ausência da pessoa amada, pode ser o celular – a partir do momento em que a pessoa faz uso deste aparelho para mandar mensagens para a pessoa, estaquear as redes sociais dela para saber se está on-line ou não, ou, para ver fotos ou pistas de onde a pessoa pode estar ou com quem está. A segunda é a esperança: o bebê tem a esperança de que a pessoa que cuida dele irá voltar para casa. Se os pais estiverem separados, ele também nutriu a esperança de que os pais um dia possam voltar a viverem juntos. No entanto, na fase adulta, esta tática também é utilizada ao alimentar a expectativa de que a pessoa que não a valoriza irá mudar o seu comportamento para melhor, ou, de que ela está apenas passando por uma situação difícil, por isso, não a valoriza, assim como, espera que um dia irá vê-la como ela gostaria, reconhecendo que ela é a pessoa ideal para estar ao seu lado. A terceira estratégia é o sonho. Quando a criança passa a assistir várias vezes o mesmo desenho ou filmes de contos de fadas, para ter a certeza de que aquilo estará ali e com a esperança de que é algo concreto, de que os personagens não irão sumir e de que o mundo não acabou, pois, sempre há uma segurança naquilo. Na fase adulta, este mecanismo é utilizado por meio da idealização de um sonho romântico, ou seja, quando há a esperança de encontrar uma pessoa perfeita que seja o retrato do príncipe ou da princesa existentes nos contos de fadas. Por outro lado, Maria de Lourdes detalha que esta idealização é ilusória, já que, na vida real, ninguém é perfeito e todos têm também suas dificuldades e problemas para serem enfrentados. Desta forma, não existindo a concretização da ideia do “felizes para sempre”.
Contudo, ela explica que é importante compreender que não existem relacionamentos perfeitos. Que as pessoas são únicas e, sobretudo, que não existem relacionamentos prontos, pois, um vai adequando ao outro para viverem a relação da vida real.
Quer saber mais o que a psicóloga clínica Maria de Lourdes falou sobre o que alimenta a dependência emocional? Dê um clique no vídeo e saiba o que ela disse sobre: “Por que as mulheres tem mais dependência emocional do que os homens?” E porque homens se sentem seus salvadores enquanto as mulheres acreditam que sempre precisam de alguém para salvá-las. Saiba também a como se libertar da dependência emocional.

Assista o vídeo da entrevista
Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícia