Os “Insênicos” te convida pra uma “Conversa Louca” nesta sexta (22)

18 de julho de 2022

Além das formas de tratamentos tradicionais utilizadas para a cura e controle das doenças mentais, a arte é, surpreendentemente, uma forma terapêutica de ajudar as pessoas com transtornos mentais a amenizarem e a lidarem com sintomas da doença. Foi percebendo isso, que a psicóloga Renata Berenstein fundou o grupo teatral Insênicos, encabeçado por pessoas com doenças mentais, que veem, em cada atuação, uma terapia cujo o potencial é de os devolver a alegria da vida e o equilíbrio psicológico. Para contar mais sobre este projeto transformador e sobre o evento “Conversa Louca”, que está sendo uma realização do grupo Insênicos, Renata Berenstein concebeu uma entrevista ao vivo para o Fala Você Notícias desta segunda-feira (18).

Surgimento do movimento que, há doze anos, tomou uma grande proporção

O grupo de teatro Insênicos é um movimento independente que surgiu em Salvador no ano de 2010, por meio de um edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O grupo já se destaca há doze anos, e é formado por pessoas com depressão crônica, bipolaridade, esquizofrenia e outros transtornos mentais. Renata conta que teve a ideia de criar este grupo quando ela ainda estava cursando psicologia, no período em que já participava da luta antimanicomial, pelos direitos referentes ao cuidado humanizado das pessoas com transtornos mentais: “Na época, o projeto chama-se “Em cena Insanidade”. Era uma oficina curta de teatro e, quando a gente começou a fazer o projeto, a ensaiar, a montar o primeiro espetáculo, aí a gente entendeu a potencialidade desta arte, das pessoas estarem em cena”, disse.

A terapia da arte através da dramaturgia

Ela explica que o teatro “Insênicos”, além de ser uma terapia que ajuda as pessoas a se curarem das doenças mentais, é, sobretudo, uma forma das pessoas que deixaram de viver uma vida social por causa de algum tipo de transtorno, voltarem a ocupar um espaço na sociedade. Pois, fazem parte do grupo de teatro, principalmente, pessoas que estiveram no estágio mais grave da doença e que, surpreendentemente, conseguiram, aos poucos, voltar a terem mais saúde mental: “Essas pessoas, elas deixaram de ser rotuladas como doentes e passaram a ser cidadãos, atores, atrizes, a estarem em cena, a serem escutadas em seus discursos. Então, eu acho que este aspecto da inserção social é muito importante”, declarou.

A fundadora revela que o grupo “Insênicos” é também um espaço de acolhimento, no qual um ajuda o outro nos momentos que mais precisam de apoio emocional: “Às vezes, um não está muito bem, mas o colega vai lá abraça e dá uma palavra de conforto. Então, emocionalmente, a gente tem também a construção deste espaço de pertencimento, de se sentir acolhido entre os amigos”, explicou. Por sua vez, por meio da dramaturgia, eles conseguem expressar suas emoções reprimidas e, para além disso, muitos passam a não ter a necessidade de ficarem internados e outros conseguem diminuir a quantidade de medicamentos utilizados. Pois, ainda que continuam a vivenciar as crises da doença, com o teatro, eles passam a lidar melhor com estas vivências, já que, atuar os possibilita a se conhecerem mais.

No palco, todos os espetáculos são inspirados nas histórias, sonhos e vivências dos próprios atores. É neste momento em que entra em ação a terapia por meio da arte. Ali, passam a não serem mais vítimas de si mesmos e nem da doença, mas, protagonistas das suas narrativas, no palco e na vida real, porque, aos poucos, vão se compreendendo e passam a dominar os seus mais complexos pensamentos, desejos e impulsos emocionais.

Evento “Conversa Louca”: uma conversação sobre a importância da arte como forma de intervenção nas doenças mentais

Atualmente, o grupo está promovendo o evento “Conversa Louca”, um bate-papo virtual que tem como objetivo reunir pessoas que também acreditam na transformação de vidas através da arte, para partilharem suas experiências em torno disso. E também com o intuito de investigar a importância da retratação da loucura na produção cultural do nosso país. Na primeira edição do evento, os convidados foram os integrantes do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados de Belo Horizonte (MG). Um grupo que surgiu em 2002 como consequência do trabalho da atriz Juliana Barreto, em oficinas de teatro dos Centros de Convivência da Rede Pública de Saúde Mental de Belo Horizonte.

O próximo bate-papo será realizado na próxima sexta-feira (22), que terá como convidado especial o grupo musical “Pereira sem Fronteira”, um artista de rua, que vive em vulnerabilidade social e que consegue, através da sua música, alcançar vários espaços sociais e dá voz aos seus pensamentos; construções por meio da arte. O bate-papo será transmitido pelo canal do grupo “Os Insênicos”, no Youtube, por isso, é importante que todos os interessados se inscrevam no canal. A inscrição será realizada na hora do evento pelo chat. E os estudantes de psicologia que participarem poderão estar emitindo um certificado válido como carga horária para a sua grade curricular, bem como, para outras finalidades acadêmicas.

O público alvo do “Conversa Louca” são estudantes, usuários do Sistema de Saúde Mental (RAPS), universitários, assim como, profissionais da área de saúde mental e qualquer pessoa que se interesse pelo tema.

Clique no vídeo ou no áudio e saiba qual o posicionamento da criadora do grupo “Insênicos”, Renata Berenstein, sobre a possibilidade de levar este projeto para outras cidades da Bahia.

 

Assista o vídeo da entrevista

Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você NotíciaS

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