Movimento do Luto à Luta realiza o 8º Encontro de Orações na Igreja Missão Cristã Internacional; sociedade civil continua firme no combate à violência contra à mulher

13 de agosto de 2022

O Movimento do Luto à Luta, tem perseverado com seu trabalho de sensibilizar a comunidade guanambiense no combate à violência contra à mulher e na promoção de uma cultura de paz. Nesta sexta-feira, às 20h, dia 12 de agosto, data que completou oito meses do assassinato brutal de Alcione Malheiros Teixeira Ribeiro, 42 anos, e sua filha Ana Júlia Teixeira Fernandes, 16 anos, aconteceu o 8º Encontro de Orações na Igreja Missão Cristã Internacional, na Av. Barão do Rio Branco, 570, centro de Guanambi.

O Encontro de Orações promovido pelo Movimento, tem a finalidade de fortalecer a rede de proteção de combate à violência contra mulheres, buscando a parceria com as instituições religiosas, as quais chegam muitas demandas de desarmonia familiar que culminam, as vezes, em violência.

O Ministério de Louvor da Igreja abriu o culto com canções e em seguida o Pastor Gilson de Jesus Rocha, parabenizou a família Malheiros pela coragem em buscar esclarecimentos sobre o caso, e, diante da perda, ter a iniciativa em querer proteger outras mulheres pedindo a instalação da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à mulher). “Vocês são instrumentos Divino para mudar a vida de muitas mulheres”, assim, afirmou o Pr. Rocha.

Foto: Ministério Louvor da Igreja.

Sensibilizado pela causa, o Pastor foi enfático ao dizer que “quando a sociedade se levanta, a justiça se levanta e se mobiliza em resolver”.

Na sua pregação, o Pr. Gilson Rocha, abordou o texto da Genesis: 4:3-8, que narra sobre a oferta dos irmãos Abel e Caim ao Senhor. “Abel deu o seu melhor e Caim não se atentou a oferta que estava dando, daí irou-se quando viu a oferta do irmão que foi aceita por Deus, ficando furioso e matando seu irmão, ou seja, devido sua inveja, e a inveja leva as pessoas a cometerem coisas terríveis, ao ponto de matar seu próprio irmão”.

Pastor Gilson Rocha

Outros pontos esclarecidos sobre a mesma passagem bíblica pelo Pr. Gilson, foi o orgulho que tem levado o ser humano a queda, “que quer ser visto por outras pessoas e não enxerga as orientações de Deus para fazer o bem e dar o seu melhor”. “E para tanto, Deus espera o domínio próprio que cada um precisa ter para vencer o mal que carrega dentro de si, e precisa estar atento a voz de Deus que fala conosco para evitar o mal, pois como Deus é justiça, haverá reparação de todo o nosso mal”, orienta o Pastor para que não se faça a sua vontade, mas a vontade de Deus, uma orientação a vencer as más inclinações.

Após a oração pelas autoridades políticas, judiciais e policiais da cidade, Quésia Malheiros, irmã e tia das vítimas, agradeceu o acolhimento de todos da Igreja Missão Cristã Internacional, para com sua família e pediu orações para o dia da primeira audiência judicial virtual do caso Alcione e Ana Júlia, que acontece nesta quarta, dia 17 de agosto, a partir das 9h. Ela também agradeceu as representantes, Magna Paes e Gleici Santana, da Procuradora da Mulher de Guanambi, vereadora Míria Paes e a representante do vereador Paulo Costa por estarem engajados no Movimento do Luto à Luta.

Quésia Malheiros, familiar de vítimas

Em seguida a jornalista membro do Movimento, Neide Lu, pediu o empenho de todos da Igreja Missão Cristã Internacional para ter coragem de combater essa violência contra a mulher que é velada e subnotificada na cidade, e que necessário a união de toda sociedade.

Neide Lu também informou sobre os avanços após a mobilização da sociedade civil através do Movimento do Luto à Luta, que já estão encaminhados os órgão de acolhimento às mulheres vítimas de violência e familiares, que são o  CRAM (Centro de Referência e Apoio à Mulher), e o NEAM (Núcleo Especializado de Apoio à Mulher), faltando pouco para as inaugurações, e que logo após resultará o empenho dos políticos para a instalação da DEAM (Delegacia Especializada de Apoio à Mulher).

Neide Lu

A jornalista ainda deixou claro que a equipe do CRAM, treinada para atender as famílias vítimas de violência já está fazendo este acolhimento na Secretaria Municipal de Assistência Social, bem como a Procuradoria da Mulher de Guanambi, através de zap: (77) 9.9998-1564.

Clique aqui e assista o culto do 8º Encontro de Orações do Movimento do Luto à Luta

Qual a finalidade do Movimento do Luto à Luta?

O Movimento “Do Luto à Luta”  busca, por meio de reuniões lideradas por representantes da rede de combate à violência contra à mulher, em parceria com o setor educacional, a efetivação da disciplina Educação e gênero na rede educacional de Guanambi, pública e privada, ensino básico e universidades, que vise a desconstrução da cultura do machismo estrutural. Bem como, a implantação do CRAM (Centro de Referência ao Atendimento à Mulher), instalação de um serviço de apoio às mulheres e famílias vítimas de violência; a construção do mapa da violência contra as mulheres em Guanambi e região pelo Observatório UniFG do Semiárido Nordestino – OFGSN; e a implantação do NEAN (Núcleo Especializado de Apoio à Mulher) e da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) pelo governo do estado da Bahia.

Constituição do Movimento

O Movimento Do Luto à Luta é constituído por familiares de Alcione e Ana Júlia, Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, Observatório UniFG do Semiárido Nordestino – OFGSN, igrejas e sociedade civil.

Órgãos que compõem a rede de proteção às mulheres vítimas de violência em Guanambi

Procuradoria da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher –CMDDM, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, Ministério Público, Delegacia de Polícia de Guanambi, Defensoria Pública da Bahia, 17º Batalhão de Polícia Militar da Bahia, Centro Integrado de Comunicação – CICOM 190, Ronda Maria da Penha PM, Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, CREAS, Secretaria de Educação, Secretaria de Saúde, Instituto Médico Legal, Justiça Vara Crime, Hospital Geral de Guanambi, UPA 24 horas, Uneb, UniFG, Unopar, escolas particulares e igrejas.

Dados reais sobre a violência na Bahia

De acordo o levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, responsável pela pesquisa, os dados são estarrecedores sobre à violência contra à mulher na Bahia em 2021, registrando um caso de violência contra a mulher a cada dois dias. O estado ocupou o quarto lugar no índice nacional de vítimas, ocorrendo 66 feminicídios, 50 agressões e tentativas de feminicídios e 29 estupros. Outros quatro tipos de violência contra a mulher ainda foram denunciados: 55 homicídios, 13 tentativas de homicídios, 7 torturas, cárceres privados e sequestro, 6 agressões verbais e ameaças. Somando os casos de balas perdidas e os considerados como outros, 232 eventos de violência foram contabilizados.

Ocorrências de violência contra à mulher podem ser feitas através do site:

https://delegaciavirtual.sinesp.gov.br/portal/comunicacaofato/ba/orientacoes

Email: [email protected]

Telefone para Contato: (71) 3115-1901

Denúncias anônimas de abuso e violência contra à mulher, entre em contato:

Zap Respeita as Minas: Orientações, informações, denúncia sobre violência doméstica e muito mais. É só acionar (71) 3117-2815 e entrar em contato.

Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180

CICOM  (Centro Integrado de Comunicação ) Polícia Militar – 190

Zap da Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Guanambi –  77 9.9998-1564

Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi –  (77) 3451-1994.

 

Edição: Elineide Lourdes (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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