Recebemos no Fala Você Notícias desta quarta-feira (12), Dr. Alcir Rocha, advogado criminalista. Ele falou sobre as eleições e o país que queremos.
De acordo com a análise de Dr. Alcir, o resultado das votações do primeiro turno atende de forma muito aproximada as previsões das pesquisas. E que, no seu ponto de vista, de acordo com o resultado do primeiro turno, o Brasil está equilibrado em termo de decisão em relação às eleições para presidente, e que o resultado está dentro da margem de erro, mesmo tendo havido resultados de pesquisas que não condiziam com o resultado que o país teve. No entanto, ele explica que algumas pesquisas não estavam compatíveis com a margem de erro, porque o resultado apresentado depende da amostra que é feita: “Não é que a pesquisa esteja errada, é que é importante observar se a amostra da pesquisa corresponde ao universo do Brasil”, afirmou. Ou seja, ele explica que o resultado mostrado depende de onde a pesquisa foi realizada e de quem foi entrevistado, qual a idade e etc…: “Porque, por exemplo, tiveram estados no Brasil que deu 70% dos votos para um candidato. É evidente que, se fosse realizada uma pesquisa ali, o outro não teria o resultado apresentado. Não é que a pesquisa esteja errada, mas é importante avaliar que quando é feita a pesquisa, se segrega por idade, por lugar, por bairro, por capital. E, da leitura desta pesquisa, que é apresentado o resultado. Não é que os pesquisadores erraram. É que a amostra deu um resultado que atendia a um determinado público”, explicou. Além disso, ele disse que o pessoal do marketing pega o resultado da pesquisa e a projeta dentro do aspecto de seu maior interesse.
Ao analisar o resultado das eleições da Bahia no primeiro turno, Dr. Alcir cita que este resultado indica um desejo do brasileiro de querer algo diferente para o país, porém, algo que eles ainda não definiram ao certo. Em relação aos outros candidatos a presidente, ele disse que certamente não obtiveram um número maior de votos porque o povo brasileiro prefere votar em pessoas que não estão no anonimato.
Para além disso, ele argumentou que a terceira via não conseguiu ter uma boa articulação porque não se uniram em um único projeto: “Então, tivemos várias terceiras vias; a Simone, o padre Kelmon, o Felipe D’ávila. Todos os projetos apresentados são muito semelhantes, muito parecidos, mas, não conseguiram atrair a atenção da população, principalmente pelo trajeto até as convenções. É muita disputa, muito ego envolvido, e, isto afasta de apresentar à população um projeto viável para competir com os grandes, que no caso seriam Lula e Jair Bolsonaro”, disse.
Dr. Alcir também pontuou que, em campanhas realizadas tanto por parte de candidatos a governadores, quanto de presidente, em seu ponto de vista, foi gasto muito tempo falando mal um do outro, apontando as fragilidades um do outro, do que efetivamente apresentando propostas e projetos. Para ele, é uma postura que faz a população perder o interesse em acompanhar o horário eleitoral e que este é um posicionamento que precisa ser mudado.
A jornalista Neide Lu, em entrevista, questionou Dr. Alcir sobre seu posicionamento em relação as ideias de modelo de governo, colocadas pelos partidos que irão para o segundo turno na eleição de presidente, e, que tem levado a população brasileira ao temor, pois, de um lado, o PT vê a democracia do país ameaçada pelos bolsonaristas e do outro, os bolsonaristas temem que o Brasil se torne um país comunista, caso, o PT vença às eleições. Em relação a este contexto, Dr. Alcir disse: “A população precisa ficar mais atenta à realidade. Nenhum presidente hoje irá conseguir transformar o Brasil sem o apoio da indústria, do comércio e dos serviços. O Brasil gira em torno da economia, como qualquer outro país. Qualquer promessa, ou, qualquer informação que venham amedrontar, as pessoas precisam parar e pesquisar um pouco, para identificar se aquilo seria efetivamente possível. Nós tivemos em um período de ditadura militar que deixou muitas marcas em nossa sociedade, e, nós não desejamos nenhum sistema totalitário, mas, para aquele sistema se tornar totalitário na época, houve uma convergência da economia, as pessoas que dominavam e gerenciavam a economia do Brasil, na época, interessaram por aquele sistema na época. Hoje, nós não vemos isso. As pessoas foram acreditando que seria uma solução, e gerou um grande problema no Brasil, pessoas desaparecidas, assassinadas e etc…”, ressaltou. Ainda, ele disse que o importante é as pessoas pararem para refletir em relação ao que é falado. E, ao invés de, apenas, levantarem a bandeira de determinado partido, pensar no país em que deseja, em prol da sociedade, que tenha escolas com qualidade; que tenha uma renda mínima para todas as pessoas que estão passando por crise; que tenha transporte público; mais universidades; dentre outras coisas que servem para o bem comum de todos. Alcir também comentou que o argumento político baseado no medo é um instrumento de manipulação e lembra que, historicamente, todos os regimes que adquiriram o poder com base no discurso que promovia o medo, foram péssimos para a nação governada.
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Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias