Vinte de novembro marca o Dia Nacional da Consciência Negra no Brasil. A data foi instituída pela Lei nº 12.519 de 10 de novembro em 2011. O principal objetivo é lembrar a morte de Zumbi dos Palmares, personagem que simboliza a resistência e luta contra a escravidão e o racismo. E, sobretudo, convidar a sociedade a refletir sobre o passado, marcado pela escravidão em função do racismo contra os negros, bem como, discutir sobre mais ações e políticas afirmativas que necessitam ser inseridas e efetivadas em prol da dignidade e igualdade da população negra no Brasil.
Afromalêko é um grupo musical de resistência negra não governamental. E busca chamar a atenção da sociedade guanambiense para uma reflexão, percepção e consciência em torno da realidade contemporânea sobre o racismo, a intolerância religiosa e a desigualdade social. Este ano, o grupo completará 20 anos de sua existência. Para contar um pouco sobre a história deste incrível projeto, e também, apresentar a programação do cortejo em sensibilização ao Dia da Consciência Negra, recebemos no Fala Você Notícias desta terça-feira (15) o Fundador do grupo Reginaldo Pretinho e alguns dos demais membros: Fátima Brito, Secretária, Elias Gomes, mestre na percussão e Marcos Antônio.
Origem e objetivo do Grupo
De acordo com a membra do grupo, Fátima Brito, Afromalêko surgiu por meio de Pretinho na Rua Espírito Santo, no Bairro Monte Pascoal. No qual, ele realizava, em todo dia 24 de dezembro, o cortejo musical em sua própria residência. Após algum tempo, o grupo tomou impulso e a apresentação, que antes era realizada em ambiente fechado, passou a ser feita nas ruas da cidade de Guanambi. Uma belíssima apresentação musical ao som simbólico dos tambores que, atualmente, têm um trajeto realizado até a Praça do Feijão.
Fátima conta que o projeto se trata de um grupo oficial de percussão liderado pelo Mestre Elias, o qual é formado por seis jovens. Atualmente, estão realizando também o projeto de percussão. Os ensaios acontecem toda segunda-feira às 19h na Rua Ana Nery. A integrante Fátima conta que as crianças da Rua Ana Nery iniciaram no grupo sem conhecimento prévio de percussão e que, agora, já estão tocando muito bem e dando um show de talento.
Pretinho narra que, antes do grupo ser chamado Afromalêko, o nome era “Sertão Africano”, que passou a ser chamado de Tim Bahia e que, depois, se transformou no projeto atual. Ele tem em memória, o primeiro dia de apresentação do grupo, que aconteceu no quintal de sua casa. Depois, tiveram que descer para as ruas da cidade e, logo após, começou a ser realizado na Praça do Feijão. Com isto, ganharam mais notoriedade, e o movimento foi crescendo na força da batida dos tambores, que foi atraindo um público maior e se transformando no grande evento atual.
Elias disse que, atualmente, o grupo atende entre 45 a 50 alunos. Ainda, ele cita que, infelizmente, ainda não tem instrumento para todos os alunos, mas, que pretendem adquirir mais instrumentos. Ainda, ele esclarece que o objetivo do projeto é que o grupo seja levado também para outros bairros da cidade de Guanambi. Para manter o grupo, ultimamente, eles contam com o apoio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, assim como, com a Associação do Bairro Monte Pascoal. Para atender a todos, Elias disse que realizam um revezamento de turmas, por causa da pequena quantidade de instrumentos.
Para ser um integrante do grupo, os membros mencionam que a única exigência é a do querer aprender e, além disso, eles pedem também que os alunos tenham uma excelente frequência na escola, pois, acreditam na força da transformação da Educação. Por isso, realizam este posicionamento de incentivos perante as crianças que participam do grupo. As crianças que participam do grupo, além de aprenderem percussão, são reeducadas através dos tambores e dos projetos articulados pelo Afromalêko. O grupo não tem restrição de cor, acolhendo a todos interessados em participar desta luta contra o racismo e desigualdade racial, que é levada por meio de uma linguagem instrumental manifestada ao som dos tambores.
Programação do cortejo do Afromalêko 2022
Neste ano, o grupo Afromalêco acontecerá no próximo sábado, dia 19, afim de não perturbarem com os barulhos dos tambores a prova do ENEM que acontecerá no dia 20 deste mês. O cortejo se reunirá a partir das 14h na Rua Ana Neri.
O evento contará com um palco, que será o ponto de concentração do grupo, assim como, com samba de roda, músicas e bebidas. O cortejo sairá a partir das 16h do Bairro Monte Pascoal. Ainda, terão também a presença de Eliana dos Turbantes, que estará ministrando uma belíssima oficina deste adereço que também faz parte da Cultura Afro. Além destas programações, realizarão uma homenagem há algumas pessoas através do Instagram do grupo.
Por ser um ano de mais uma edição da Copa do Mundo, os personagens homenageados serão pessoas que marcaram o esporte de Guanambi. Dentre os homenageados estão: Mosquito, Jogador de Futebol e Incentivador Esportivo; Adão Gofo, que já é falecido, e é conhecido como ex-camisa 10 da Seleção Guanambiense de Futebol; Professor Zé Raimundo, que atuou como o professor de Educação Física do Colégio Luiz Viana; Tatu, um dos vencedores do Campeonato Cearense em 2010; Eri Moreno, que também já faleceu (era esportista e fazia parte da Equipe Esportista da Rádio Cultura); e Lorrane, atacante do time Doce Mel, Esporte e Clube e Vice Campeã do Campeonato Baiano de 2022.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e confira, na íntegra, a entrevista completa e ouça, também, o som da música afro cantada pelos integrantes do Grupo Afromalêko.

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Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícia