No Fala Você Notícias desta terça-feira (3) recebemos Tânia Alves, pedagoga e escritora de literatura infantil, graduada em Pedagogia pela PUC/SP, é também especialista em alfabetização e letramento, participou de várias antologias. E, nesta entrevista, ela falou sobre o seu livro “Cabelos de toin oin oin”, publicado em 2021.
Um pouco de Tânia Alves
Tânia Alves é natural de Pindaí, do povoado chamado Tabua, mas, mudou-se para Guanambi e, logo após, foi morar em Campinas, onde reside desde 2007. A escritora trabalha como educadora desde o ano de 2009, em Campinas. Atualmente, cursa mestrado na Unicamp, na área da educação. Além disso, Tania tem levantado discussões sobre questões raciais, com o objetivo de gerar o empoderamento, por meio da pauta antirracista.
Surgimento da sua obra “Cabelos de toin oin oin”
Ela conta que, no período em que iniciou a pandemia do Covid-19, começou a escrever o seu livro voltado para a literatura infantil. E revela que encontrou na escrita uma forma de encontrar com o seu eu interior: “O período de pandemia foi um período de incertezas, que não sabíamos quando era que iriamos voltar para um novo normal. No período mesmo do isolamento social, e escrita, ela foi o meu sopro, o meu momento de poder relaxar, poder falar pra mim mesma. É como se fosse uma conversa com o meu eu interior, e dizer que tudo aquilo iria passar e que nós seguiríamos adiante”. Pra mim, foi este respirar, foi sentir este vento, foi acreditar que seria possível vencer, este momento de incertezas e dificuldades, que todos nós vivenciamos durante a pandemia, no momento mais difícil”, declarou.
Inspirada nos poetas Patativa do Assaré e o contemporâneo Bráulio Bessa, com muito orgulho de ser nordestina, busca nos versos e nas rimas um meio de trazer a literatura poética. Tem a literatura de cordel como sua maior fonte de inspiração e sente, nesta arte, uma forma de acalento no ato de escrever e, ao mesmo tempo, de se acalmar com a escrita e a poesia.
Origem da ideia para a obra “Cabelos de Toin oin oin”
A inspiração para a sua obra “Cabelos de Toin oin oin” foi a sua filha de seis anos chamada Raquel. Ela narra que Raquel nasceu com os cabelos lisos e, com o passar do tempo, ele foi mudando a sua tipologia, se tornando cada vez mais cacheado. Aos três anos de idade, quando já frequentava a escola, Raquel começou a ter questionamentos em relação ao seu cabelo: “Ela queria saber o porquê do cabelo dela não ser liso, como o cabelo de uma funcionária da escola, que ela sempre gostou muito. Então, ela dizia “O meu cabelo não é bonito”; “O meu cabelo, eu quero que ele seja igual ao desta educadora”. Eu precisei fazer muitas conversas com ela, pra explicar sobre a dimensão da ancestralidade, de quem veio antes de nós. Então, nós temos uma história. E nós vamos herdando estes traços fenótipos. Foi contando pra ela, foi mostrando fotos, fotos minhas, da minha família, da família do pai dela, e conversando, explicando”, detalhou. Ainda, a escritora buscou referências de relevância para apresentar à sua filha, de mulheres que usam os seus cabelos naturais. Dentre as mulheres que utilizou como referencial, ela destacou: a cantora Negra Li, a jornalista apresentadora Maria Júlia Coutinho. Com isso, a escritora articulou um discurso de empoderamento e valorização das características do cabelo afro, para mostrar a sua filha o quanto as mulheres negras, com os seus cabelos afros, encaracolados, são empoderadas e belas do jeito que elas são.
Enfim, a educadora explica que o título da sua obra “Cabelos de toin oin oin” não é uma forma pejorativa de se referir aos cabelos cacheados e afros, ao contrário disso, é uma maneira de ressignificar o sentido da palavra, que diz respeito a forma como os cabelos cacheados se definem.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e confira o poema destaque do livro “Cabelos de toin oin oin” e veja, também, o livro com belíssimas ilustrações.
Ouça o áudio da entrevista:
Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias