Representante do movimento “Asfalto já”, esclarece os motivos da mobilização na BA-156 contra a empresa BAMIN e a Mina de Pedra de Ferro

11 de janeiro de 2023

No Fala Você Notícias desta quarta-feira (11) recebemos Juvenice Ferreira, militante da Consulta Popular e integrante do movimento “Asfalto já”. Ela falou sobre a mobilização na BA-156, Licínio de Almeida.

De acordo com Juvenice Ferreira, “Asfalto já” trata-se de um movimento de Licínio de Almeida, formado por moradores da comunidade que moram no entorno da BA-156. Os moradores paralisaram a BA-156 para os caminhões que realizam o tráfego do minério de ferro da BAMIN e também para a Mina Pedra de Ferro de Caetité no Brejo das Ametistas, que vão em direção ao pátio da cidade em Licínio de Almeida: “A manifestação surgiu porque, há dois anos, a BAMIM começou a utilizar a via para estes transportes com os caminhões, e, não foi feita nenhuma audiência pública no município de Licínio de Almeida para discutir os impactos deste processo de tráfego do minério. As populações que estão ao lado, elas sentem mais os impactos. É muita poeira, os caminhões circulam das 6h às 22h, são muitos ruídos. O trânsito das pessoas na estrada fica difícil e, também, fica difícil a visibilidade de quem se desloca das comunidades para chegar até a cidade”, explicou.

Ela, ainda, disse que as crianças das famílias que residem próximas a BA-156, a maioria, estão com alergia, por consequência da poeira. E que, inclusive, estão tendo que tomar muitos remédios: “Tem um relado de um morador que, inclusive, está há trinta metros da rodovia. A casa dele está rachada, ele tem um filho de dois anos e estava gastando por mês em torno de R$ 300 a R$ 500 reais para essa criança, por causa das alergias desta poeira. Quem mora no lado de cima, a casa não fica limpa em momento nenhum, por conta do pó, que também recai sobre as plantas, impede o desenvolvimento da planta, impede a fotossíntese”, citou. Além disso, ela relatou que os caminhões não são devidamente cobertos, pois, disse que são cobertos por sombrite e que, por conta disso, uma grande quantidade de pó de ferro está na estrada.

Juvenice também relatou que a BA-156 é cortada por quatro riachos, que desaguam na barragem do trovisco, que abastece Licínio de Almeida, Caculé e Rio do Antônio. Conforme ela explicou, com as chuvas, os resíduos de minério e a terra são levados até a barragem do Truvisco, contaminando a água que abastece toda essa região. Para além disso, conforme Juvenice, o movimento tem sofrido assédio por parte da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura do Governo): “A gente tem sofrido assédio, esteve lá um representante da Seinfra, umas duas ou três vezes, e ele foi com os policiais. Então, está tendo muito assédio”, declarou.

Juvenice explica que o movimento não conta com nenhum financiador, apenas com o apoio da Prefeitura de Licínio de Almeida; do MAM (Movimento Popular da Soberania pela Mineração); CPT (Comissão Pastoral da Terra), uma entidade religiosa; e, também, da Cáritas Diocesana.

O movimento está realizando esta paralização há 108 dias e, de acordo com Juvenice, no primeiro dia de paralização, o movimento enviou um ofício para a empresa BAMIN solicitando uma reunião, para discutirem os problemas sofridos e como resolvê-los. No entanto, ela disse que, no primeiro momento, o responsável por receber o ofício não o recebeu, só depois que um funcionário apareceu no acampamento e confirmou o recebimento do ofício, porém, a empresa nunca chamou os representantes para um diálogo, conforme disse Juvenice.

Juvenice esclarece que o movimento “Asfalto já” não é contra a retirada do minério por parte da BAMIN, uma vez que, disse estarem cientes da importância do minério para vários aspectos, e que é contra a forma como este processo de extração tem sido realizada, já que não está respeitando o município, por ocasionarem os problemas alegados pelo movimento.

Dê um clique no vídeo ou no áudio e saiba o que Juvenice falou sobre “Possíveis propostas de resolução dos problemas com as empresas que estão sendo citadas; Processo de reivindicação dos direitos por parte do movimento frente há alguns órgãos e representantes do Poder Público e as dificuldades em receber o devido apoio por parte deles” dentre outras colocações levadas pelo movimento.

 

Assista o áudio da entrevista:

 

 

Assista o vídeo da entrevista:

Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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