No Fala Você Notícias desta segunda-feira (29), a Jornalista Neide Lu trouxe a participação, ao vivo, de Tatyane Miranda Caires, Promotora de Justiça de Guanambi. Ela falou sobre o resultado da audiência pública realizada na última quinta(25/05), que traz a importância do registro da história de Leocádia como patrimônio cultura e imaterial.
De acordo com Dra. Tatyane Miranda, conseguiram, por meio do inquérito civil, catalogar dezenas de trabalhos acadêmicos; teses de doutorados; dissertações de mestrados; artigos científicos e de ensino médio; Leis e atos normativos municipais; reportagens, programas exibidos na televisão e na internet; documentários; espetáculos; filmes; livros; romance; literatura de cordel; dentre tantos outros documentos que confirmam a relevância da história de Leocádia para a cidade de Guanambi.
Ela disse que todos estes documentos citados são traduzidos como referência e sinônimo de identidade, de ação e de memória para o povo. E que é algo que conduz a reviver o passado de forma a possibilitar a reafirmar as ideias de identidade social e pertencimento, por vezes, esquecido pelos próprios cidadãos e também em grande parte pelos gestores públicos.
A promotora reforçou que o promotor de justiça deve vivenciar a sua comunidade, identificar a história de sua comarca e adotar providências para que de fato os direitos fundamentais como o direito à memória, à cultura, sejam efetivados por todos os órgãos envolvidos, de formar a desenvolver posições capazes de impactar positivamente a vida das pessoas de sua comarca.
Dra. Tatyane Miranda Caires disse que todo este trabalho científico não muda a história de Leocádia enquanto patrimônio cultural. O fato da história de Leocádia, contada há mais de 100 anos, ser confrontada com estudos e documentos históricos recentemente localizados, só faz enriquecer ainda mais este bem imaterial que sobrevive por mais de um século. A fé na santa popular aliada ao culto ao lajedo e ao túmulo de Leocádia é algo inabalável. Ela disse que os trabalhos científicos baseados em fontes históricas poderão trazer uma nova narrativa, de fato, mas esta nova narrativa, ela não desvaloriza e muito menos invalida as narrativas já produzidas anteriormente, que são frutos da oralidade e também dos memorialistas.
Contudo, com o trabalho científico, poderão desvendar o porquê de Leocádia ter sido elevada a condição de santa popular, desvendar o discurso que circularmente permeou ao imaginário social, além de possibilitar a construção de uma nova narrativa que se aproxime mais da situação registrada em áudios judiciais e em outros documentos da época. Ela relembra que a violência cruel e hedionda contra Leocádia é revivida nos dias atuais sempre que uma mulher é agredida ou morta. E que esta memória pode ajudar a sociedade a não repetir os erros do passado, como a utilização da desqualificação da vítima como justificativa para o crime e da consagração da impunidade dos assassinos verificada no caso concreto.
Clique no vídeo a entrevista completa.
Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias