Os homens e a cultura da violência; por Maria de Lourdes, psicóloga

16 de agosto de 2023

No Fala Você Notícias desta quarta-feira (16), recebemos Maria de Lourdes, psicóloga clínica TCC. Ela falou sobre os homens e a cultura da violência.

De acordo com a Psicóloga Maria de Lourdes, a violência de gênero é estruturada, naturalizada e acontece desde quando a mulher nasce. Ela explica que a violência de gênero é a relação de poder do gênero masculino sobre o feminino, o qual a sociedade entende que o gênero masculino tem um poder acima da mulher.

Lourdes disse que pesquisas mostram que, quanto maior a desigualdade entre homens e mulheres, maior é a violência de gênero, porque não é reconhecido no outro o semelhante.

Ao falar sobre o papel de gênero, ela detalha que é o que se espera socialmente das meninas e o que se espera socialmente dos meninos: “A menina, quando ela nasce, hoje não muito, mas, de primeiro, era a rosinha pra menina, o aniversário de princesa. E aí são destinados a essas mulheres uma questão de cerceamento de liberdade, impõe um senso de fragilidade, de dependência, da incapacidade, de que esta mulher só existe para ter uma outra pessoa que a constitua, que a valide, que, no caso, seria este homem”, disse.

Segundo Lourdes, é perceptível que é colocado no gênero feminino a questão da dependência, seja ela emocional, financeira e em relação a insegurança. Ela falou que as mulheres são ensinadas a duvidarem de si, a não reconhecerem a sua potência, a procurarem o homem para uma aprovação.

Já, quando o homem nasce, o papel social atribuído a ele é o papel da virilidade, o papel que diz que os homens não choram. É o papel que diz que é um homem de poder e que vai cometer a violência em nome da honra; é o papel que diz de que eles precisam ser os provedores da casa; que não podem demonstrar fraqueza; que não são deles os trabalhos domésticos e nem o cuidado com os idosos e com as crianças.

Ela cita que os meninos são educados para reafirmarem a masculinidade, em espaços considerados masculinos, como os pátios das escolas, os clubes esportivos, os bares e os presídios. Diante deste contexto, é esperado destes homens um adoecimento, porque eles não serão potentes o tempo inteiro. E, neste cenário, a sociedade vai criando crenças disfuncionais acerca desta relação de poder entre homens e mulheres.

Por consequência destas crenças disfuncionais, as pessoas vão confundindo ciúme com amor nas relações amorosas; controle com cuidado; vai sendo infundido na mulher a ideia de que ela vive para ter uma família e que ela precisa aceitar tudo.

Conforme Maria de Lourdes, de acordo com dados, no Brasil, 1 a cada 3 mulheres é vítima de violência doméstica. Em média, a cada 15 segundos, uma mulher é agredida no Brasil. Sete a cada dez mulheres assassinadas no Brasil têm como criminoso alguém que elas tinham algum tipo de relacionamento amoroso.

Dê um clique no vídeo, ou, no áudio e confira o que a Psicóloga Maria de Lourdes falou sobre: Qual a real importância da Lei Maria da Penha; quais os dois principais pilares que reforçam a violência de gênero; o que é masculinidade tóxica; crenças disfuncionais que precisam ser desconstruídas; sugestões de medidas de agressividade para os homens; como lidar com os perfis perversos no contexto de violência.

Assista o áudio da entrevista:

 

Assista o vídeo da entrevista no YouTube: 

Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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