MPF em Guanambi (BA) aciona Incra e União para regularizar territórios quilombolas

21 de novembro de 2016

As ações civis públicas foram ajuizadas pouco antes do Dia da Consciência Negra, em defesa de 3 comunidades quilombolas, situadas em Malhada e em Bom Jesus da Lapa
O Ministério Público Federal (MPF) em Guanambi (BA) ajuizou três ações civis públicas contra o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a União, pedindo a conclusão dos processos administrativos de regularização fundiária e demarcação de territórios pertencentes a três comunidades quilombolas na Bahia: Parateca e Pau dArco, em Malhada (BA), Lagoa das Piranhas, em Bom Jesus da Lapa (BA), e Juá-Bandeira, no mesmo município.
As ações pedem também que a União seja obrigada a conceder a essas comunidades as áreas federais que estejam no interior dos Territórios Quilombolas. No caso das comunidades de Lagoa das Piranhas e Juá-Bandeira, também foi acionada a Fundação Cultural Palmares, que deverá prestar auxílio ao Incra, sobretudo para a mediação dos conflitos fundiários instalados na região.
“Para os quilombolas, a terra habitada, muito mais do que um bem patrimonial, constitui elemento integrante da sua própria identidade coletiva, pois ela é vital para manter os membros do grupo unidos, vivendo de acordo com os seus costumes e tradições”, explica o Procurador da República Paulo Marques.
Nas ações, ajuizadas pouco antes do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, o MPF também chama a atenção para a ausência de metas claras para a titulação de territórios quilombolas. Ainda foi constatada a aplicação insuficiente dos recursos orçamentários previstos para a regularização dessas terras nos anos de 2015 e 2016. Segundo as ações, em 2015, a Lei Orçamentária Anual (LOA) autorizou R$29,5 milhões para ações de reconhecimento e indenização de territórios quilombolas, mas apenas R$6 milhões foram efetivamente usados. Em 2016, houve um corte de 70% no orçamento para tais ações, tendo sido autorizada dotação de cerca de R$8 milhões; de tais recursos, até 29 de outubro, apenas o montante de R$1,4 milhão havia sido efetivamente utilizado. Veja mais dados acessando a íntegra das ações.
No caso dos remanescentes de quilombos da comunidade de Parateca e Pau DArco, o processo de titulação de suas terras está em movimentação desde 1993, tendo sido formalizado perante o Incra em 2004. No entanto, após o decurso de mais de 12 anos, somente parte da área destinada à comunidade foi titulada. Confira a íntegra da ação – Processo nº 0007061-49.2016.4.01.3309, que tramita na Justiça Federal (JF) em Guanambi.
Em relação à área pertencente à comunidade de Lagoa das Piranhas, em Bom Jesus da Lapa (BA), o procedimento para a regularização das terras teve início em 2004. Em setembro de 2005 foi registrada tentativa de assassinato de liderança da comunidade. O Relatório Técnico de Identificação e Delimitação – RTID –, necessário à regularização do território, teve de ser refeito e chegou a ser publicado pelo Incra em 3 oportunidades, reabrindo as fases do processo administrativo e contribuindo para o atraso. O procedimento se prolonga sem
conclusão até hoje. Confira a íntegra da ação – Processo nº 0002666-93.2016.4.01.3315, que tramita na JF em Bom Jesus da Lapa.
Quanto às terras das comunidades quilombolas Juá-Bandeira, o procedimento é ainda mais antigo: teve início em 1999. No entanto, ainda hoje sequer há previsão para uma das etapas iniciais – a elaboração do RTID. O processo de regularização permaneceu parado até o ano de 2003, quando a responsabilidade foi transferida da Fundação Cultural Palmares para o Incra, de acordo com o Decreto nº 4.887/2003. Entretanto, não houve avanço desde então. Confira a íntegra da ação– Processo nº 0002667-78.2016.4.01.3315, que tramita na JF em Bom Jesus da Lapa.
Caso a Justiça acate os pedidos do MPF, os acionados ainda deverão indenizar os quilombos por danos morais coletivos.
CompartilheShare on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter

Entre em contato conosco 😊

Email: [email protected]
Telefones: 77 99804-6819
Travessa Cincinato Fernandes 265
Centro, Guanambi - Bahia