“O Brasil é apontado como grande promessa na produção e abastecimento mundial de alimentos”. A afirmação é do representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO do Brasil), Alan Bonjic, que participou do II Encontro do Simpósio Regional em Agronegócio e Conservação do Cerrado, realizado em Barreiras (BA), no último dia 11. Representantes das Associações Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA) e a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) se uniram em torno de um amplo debate sobre o tema “Agronegócio e conservação do cerrado”.
O foco da discussão foi a produção e o abastecimento de alimentos com segurança, sustentabilidade e um mínimo de desperdício, a partir da projeção de que o número de habitantes do planeta, em 2100, chegará a 11,2 bilhões de pessoas (hoje são 7,5 bilhões), despertando em pesquisadores e estudiosos a busca constante por alternativas para suprir as necessidades alimentares desse contingente humano.
O encontro trouxe importantes temas à tona, com destaque para a Agricultura Familiar. O representante da FAO no Brasil, Alan Bonjic, ofereceu informações atualizadas sobre a fome mundial e pontuou estratégias para lidar com a crescente necessidade por alimentos em todo o planeta. “É possível sair dentro de cinco a seis anos deste problema da fome mundial que tem só na Ásia (Índia e China), 515 milhões de subalimentados. O Brasil terá papel central para produzir alimentos a partir de estratégias mais precisas para lidar com as mudanças climáticas e com uma agricultura resiliente, com sustentabilidade”, afirmou.
Já o diretor de pesquisas do Instituto Water for Food, da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, Christopher Neale, apresentou um case desenvolvido na Etiópia que mostra ser possível a prática agrícola com a utilização de projetos simples de irrigação, a baixo custo. O projeto da AIBA e da ABAPA, realizado em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (MG) e a Universidade de Nebraska, que estuda o potencial e uso do Aquífero Urucuia, com sustentabilidade, no oeste da Bahia, foi outro foco do pesquisador. “Uma das atividades deste projeto é oferecer suporte técnico para os pequenos produtores da região com a implantação do pivô compartilhado, além de garantir apoio e orientações sobre o uso sustentável e correto da água em áreas de distritos de irrigação, por exemplo,” explicou.
Pesquisador da Universidade Federal de Viçosa e um dos coordenadores do estudo do Aquífero Urucuia, Aziz Galvão, destacou o caráter inovador da proposta. “O projeto é inédito. Não é comum uma pesquisa nestes moldes ser financiada por produtores, envolve parcerias, o setor público, e a universidade de Nebraska. É a prova da preocupação dos produtores do Oeste pelo desenvolvimento de uma agricultura sustentável e séria. Fundamental ainda para o fortalecimento da Agricultura Familiar, considerando que 85% da agricultura praticada no Brasil são de responsabilidade dos pequenos produtores”, destacou.
O vice-presidente da AIBA, Luís Pradella, fez uma avaliação sobre o evento voltado para as ações de fortalecimento da Agricultura Familiar e, além do encontro na UFOB, reservou o dia seguinte ao encontro para para fazer visitas técnicas na região Unidade de Conservação APA Bacia do Rio de Janeiro, cujo o plano de manejo tem sido apoiado também pelos produtores. Na oportunidade, foram visitados atributos ambientais como a Cachoeira do Redondo, empreendimentos rurais, incluindo visita à comunidade de pequenos agricultores do Retiro e São Vicente no Val do Teiu.
“Ficou claro que é possível produzir com sustentabilidade, e nós, como associação, não fazemos a distinção entre pequenos e grandes. O que existe é uma diferença de escala, todos têm o objetivo de produzir alimentos com qualidade e respeito ao meio ambiente”, falou Pradella. Ainda durante o Simpósio foi assinado um acordo de cooperação técnica com o Parque Vida Cerrado para condução de ações de educação ambiental associadas ao Projeto de Preservação e Recuperação de Nascentes na região Oeste, que é uma parceira da Aiba, Abapa e instituto Brasileiro do Algodão (IBA). A Tarde