Em visita ao Brasil, ginecologista congolês Denis Mukwege convidou homens a se engajarem na luta contra a violência contra a mulher.
O médico congolês Denis Mukwege, um dos vencedores do prêmio Nobel da Paz de 2018, defendeu, em visita ao Brasil, que os homens se engajem no combate à violência contra a mulher e atuem para acabar com a “masculinidade tóxica”.
O ginecologista segue com uma intensa agenda internacional para denunciar a utilização do estupro como arma de guerra em todos os continentes.
Mukwege, que cuida de mulheres vítimas de violência sexual em um hospital na República Democrática do Congo, recebeu o G1 no hotel onde estava hospedado, em São Paulo, para participar de conferência do projeto Fronteiras do Pensamento, em agosto.
Na avaliação dele, é preciso atuar para que as sociedades não deem mensagens fortes de que o homem não é igual à mulher.
“A gente sabe muito bem que a mulher pode trabalhar a mesma quantidades de horas que um homem, pode ter um mesmo diploma com a mais alta nota, mas ela terá sempre um salário inferior ao salário de um homem.”
O médico também cita exemplos da China e de países africanos.
“Na China, fetos do sexo feminino são simplesmente liquidados. Quando uma mulher é obrigada a abortar quatro vezes até que na 5ª vez ela tenha um feto masculino. É esse feto que a gente deixa. Qual é a mensagem que fica? É a de que as outras quatro [mulheres] não valem nada. Ou na África, quando uma mulher que tem três, quatro, cinco meninas, e é abandonada pelo marido porque não teve um menino”, observa. G1