Advogado pontua situações diárias de racismo institucional vividas por negros na sociedade brasileira

22 de março de 2022

21 de março foi a data escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ser memorizada como o Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial, que, infelizmente, ainda se encontra estruturada com bases sólidas em nossa sociedade brasileira. Pois, de maneira recorrente, nos deparamos com notícias que relatam casos de racismo contra pessoas negras, que, mesmo ao ocupar com muita luta os espaços sociais, ainda assim, são obrigados a enfrentar diariamente a dor da cor, ou seja, atitudes racistas que ferem a integridade moral e principalmente a existência de uma identidade sociocultural.

Recentemente, tivemos mais uma de muitas notícias sobre casos de preconceito racial em espaço de trabalho. Trata-se de um fato envolvendo uma socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em São Paulo, que, ao atender um idoso, em sua residência, foi alvo de comentários racistas advindos de familiares dele. O ato aconteceu quando uma senhora desesperada gritou dizendo que a socorrista era uma negra e o filho respondeu comunicando que estava tudo bem, porque ela estava usando luvas. E para debater sobre este assunto tão pertinente em nossa sociedade brasileira, o Fala Você Notícias desta terça-feira (22) contou com a participação do Dr. Alcir Rocha, que teceu argumentos e discussões sobre o assunto.

Dr. Alcir iniciou o nosso bate-papo ilustrando a definição de racismo na prática, ao caracterizar o racismo como um olhar reverso de caráter negativo voltado para pessoas com determinadas características biológicas, ao ser consideradas incapazes por sua cor de pele, características do rosto, cabelo e outros caracteres somáticos.

Dr. Alcir explica que este fundamento de raça superior tem sido um marco na história da humanidade como uma justificativa para discriminar, escravizar ou até mesmo exterminar seres humanos de etnias não aceitas, como ocorreu na Alemanha nazista, durante a segunda guerra mundial, onde houve a exterminação de judeus, por causa da cor da pele deles, que era considerada impura pelo ditador alemão Adolf Hitler.

Apesar da referida designação ter sido utilizada como argumento de que havia uma raça superior, Dr. Alcir elucida que esta é uma ideologia teórica refutada, pois não há comprovação que apresente provas científicas de que existem raças inferiores, pois este pensamento se trata de uma apresentação científica teórica defendida pela sociedade ocidental na tentativa de explicar a sua dominação exercida sobre os povos de outros continentes e de  diferentes culturas na época da expansão colonial, como ocorreu com os negros e os índios quando os  colonizadores europeus chegaram ao Brasil.

Para Dr. Alcir, o primeiro passo para mudarmos a cultura do racismo em nosso âmbito social é reconhecer que somos indivíduos providos de preconceitos, em diversos aspectos em relação ao nosso olhar sobre o outro, seja em relação as mulheres, aos homossexuais, à ideologia de gênero e outros aspectos que estão correlacionados aos parâmetros sociais que são atribuídos aos grupos minoritários de forma opressiva. Pois, só enxergando vestígios de preconceitos estruturados e internalizados em nós, conseguiremos os destruir aos poucos em nosso meio social, começando por este exercício de autorreconhecimento.

Dê um clique no vídeo ou ouça o áudio e tenha acesso ao bate-papo completo, com Dr. Alcir Rocha sobre o racismo institucional na sociedade brasileira.

Assista o vídeo da entrevista

Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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