No Fala Você Notícias desta quarta-feira (26) recebemos o Engenheiro Civil Yágor Menezes, especialista em fundação e estrutura. Ele falou sobre a influência das chuvas na construção civil.
O Engenheiro Yágor explica que, em tempos de chuva, não é recomendável a realização de construções de obras civis, principalmente, não iniciar as fases de fundação, por causa das cavas feitas no chão que provavelmente serão preenchidas pela água da chuva. Além, disso, ele disse que também não é indicado a realização de contenção, porque, quando o solo satura, atinge o que é chamado pelos engenheiros de limite de liquidez, ou seja, quando ele deixa de se comportar como um material plástico e passa a se comportar como líquido, isto é, quando o barro vira lama ou quando a areia desmorona. Desta forma, ocorrendo o que é chamado na engenharia de empuxo, que empurra estas contenções. O ideal é aguardar o período chuvoso passar, cobrir os taludes, caso já tenham sido escavados e, após um período mínimo de secagem do solo, retomar a obra.
Saiba como são feitas construções em zonas alagadas
Ao falar sobre construções feitas em zonas alagadas, como em rios e mar, Yágor explica que isso é possível por causa da realização de contenção ao redor da fundação, com estacas chamadas de estacas pranchas: “Imagine telhas galvanizadas gigantescas, e, super robustas. Nós cravamos estas telhas, entre aspas, ao redor do local onde nós queremos escavar. Um mergulhador soldador entra para preencher as lacunas entre as telhas, para não haver vazamento de água, e a gente bombeia a água de dentro e o solo já fica seco para poder ser escavado”, detalhou. Além deste método, o engenheiro também citou que algumas plataformas são flutuantes. Ele disse que teria a possibilidade de utilizar o método citado para a realização de obras civis em período chuvoso, porém, existe um custo maior para este tipo de obra. Dentre eles, o de bombeamento de água e de rebaixamento de lençol freático, já que, no período de chuva, há uma elevação do lençol freático, ao subirem o nível por serem reabastecidos.
Principais riscos encontrados nas construções civis
No que diz respeito aos riscos mais encontrados na construção civil, Yágor relatou que, atualmente, é a indústria que registra mais casos de mortes de operários. Ele cita que acidentes na construção civil são comuns e devem ser evitados. No entanto, ele explica que alguns fatores colaboram para esta realidade, desde questões financeiras, legislativas, por parte dos clientes, que, por vezes, não sabem que devem oferecer os equipamentos de segurança, até por questões culturais, pois, cita que é comum haver funcionários que se recusam a utilizar os equipamentos de segurança. Para este tipo de posicionamento, Yágor detalha que a lei garante uma advertência. Se acaso, o funcionário se recusar novamente, ele terá uma suspensão, e, na terceira recusa, ocorre a demissão por justa causa.
Principais patologias surgidas em obras em tempos de chuva
Em relação aos perigos causados pela chuva, ele disse que há as principais patologias que se manifestam. Nas edificações, podem surgir as conhecidas trincas. Já nas que estão em construção, pode haver interrupção do canteiro de obras, alagamento, preenchimento de água das cavas, empuxo nas contenções… Sendo assim, o engenheiro disse não recomendar a realização de obras e de compras de imóveis em período de chuva: “Principalmente, para quem for comprar imóvel, espere passar o período de chuva, pois, é justamente neste período que o imóvel irá manifestar as suas patologias principais, que são: goteiras, infiltração, desplacamento de reboco, desplacamento de piso, rebaixamento das fundações”, alertou. Portanto, ele esclarece que estas patologias aparecem apenas em imóveis maus construídos e não em todos os imóveis.
Obras civis, canetinhas de obras e os prejuízos causados por esta prática
Em relação a obras civis em Guanambi, que não tiveram engenheiro e arquiteto, ele disse que algumas edificações tem a assinatura dos chamados canetinhas, e que se trata de uma prática muito comum em Guanambi, engenheiros que só assinam para obtenção do alvará de obras, mas, que nunca foram na obra, não participaram do projeto, e, que nunca realizaram nenhum tipo de execução. Além deste tipo de prática, ele contou que há também os engenheiros que assinam para os desenhistas, que, inclusive, vendem projetos estruturais. Yágor disse que este tipo de situação causa prejuízo para o cliente, pois, ele pode perder a sua obra por patologia, ou, até mesmo, ter que parar a obra por excesso de custo, algo que mais entra no setor de projetos da Menezes, que são as correções de projetos. Atualmente, ele tem mais de 18 projetos estruturais corrigidos.
Nos períodos chuvosos, a dica que o engenheiro Yágor dá para todos é que observem aberturas de trincas e fissuras, especialmente em casas novas. Em relação às casas com cinco ou seis anos de construção, ele explica que, dificilmente, apresentam estas patologias por falha na execução ou mal dimensionamento estrutural.
Ao se deparar com trincas e fissuras, o recomendável é que se preencha as fissuras com massa corrida ou gesso e, em fissuras localizadas no lado externo, preenchê-las com massa acrílica. Após isso, é necessário aguardar um período e observar se as fissuras voltaram a abrir. Se a fissura apareceu, e ela não abrir mais, ele explica que provavelmente foi alguma acomodação de estrutura, por algum mal dimensionamento de fundações.
Por outro lado, se as fissuras continuarem se abrindo e evoluindo de trinca para fissuras e de fissuras para rachaduras, é necessário um engenheiro civil, ou, uma equipe de Engenharia Civil para realizar uma investigação na patologia que surgiu, para saber se é um problema simples de alvenaria, que pode ser consertado com alguma massa elástica, ou, se é um problema estrutural que precisa ser corrigido antes que gere uma catástrofe na obra.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e saiba quais os tipos de infiltrações que devem ter uma atenção maior.

Assista o áudio da entrevista:
Assista o vídeo da entrevista:
Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias