No Fala Você Notícias desta quarta-feira (5), recebemos Eduardo Afonso, Advogado formado pela UESC/BA Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus. Atualmente, ele tem transformado as adversidades da vida em inspiração e deseja distribuir sementes boas para o mundo por meio do quadro “Como Seria Se”. E o tema apresentado hoje foi ‘Como Seria se eu não fosse pai’.
Para Eduardo Afonso, um dos maiores empecilhos que impedem as pessoas de terem um filho é a terceirização afetiva, pois, relata que muitos pais estão esquecendo de serem presentes. Ele disse que esta conduta ocorre desde a idade média, quando os filhos eram encaminhados para os nobres, que eram, na época, pessoas mais esclarecidas e que tinham profissões. Os pais biológicos tomavam este posicionamento com o intuito de fazer com que os seus filhos também tivessem uma profissão. Após a revolução industrial, bem como, a Primeira e Segunda Guerra Mundial, quando os homens foram para a guerra, as mulheres tiveram que trabalhar para sustentar a elas e também aos filhos. Ele explica que o fato do homem e da mulher terem que trabalhar foi, de certa forma, enfraquecendo os laços afetivos.
No entanto, Eduardo esclarece que não é errado os pais terem que trabalharem, mas sim, mesmo trabalhando, não esquecerem da presença afetiva na vida das crianças, já que, de acordo com o seu ponto de vista, não há justificativa que consiga substituir a presença afetiva: “O filho, quando está crescendo, precisa ter a presença afetiva na vida dele, precisa de referências”, afirmou.
A escola tem alguma obrigação no processo de construção de princípios e valores das crianças?
De acordo com a visão de Eduardo, a escola não tem nenhuma função no processo de construção de valores das crianças, já que, para ele, questões envolvendo ensinamentos de valores não é função da escola, mas sim, dos pais. Ele argumenta que a escola não tem estrutura e nem relação afetiva para oferecer a cada criança ensinamentos acerca de valores e princípios.
A Teoria do Apego e a sua importância no processo de evolução e crescimento dos filhos
Segundo Eduardo, a Teoria do Apego foi desenvolvida pelo psicanalista John Bowlby, que diz respeito a importância da necessidade do vínculo dos pais com as crianças: “Existe uma necessidade de vínculo com o seu cuidador, de amamentar, trocar uma frauda, dar banho… Pois, o contato, o toque, é algo construtivo e gera vínculos que podem ter efeitos na vida adulta. Muitos psicólogos, psicanalistas e psiquiatras falam que coisas que aconteceram durante a convivência inicial entre os pais e os filhos, em relação aos cuidados, é uma evolução e apresentação. Porque os pais têm uma função tradutiva do mundo. A criança está chegando e está recebendo informações do mundo e você é o guia; você é o tradutor de tudo que ela está vendo, visualizando, e você precisa se fazer presente”, disse. Eduardo esclarece que a partir do momento em que os pais não cumprem esta função de traduzir para os filhos o mundo ao seu redor, eles cortam o vínculo entre eles e os filhos. Desta forma, ele afirma que as crianças necessitam de pais disponíveis e presentes, e, que não adianta cobrar da escola algo sobre o comportamento ruim do filho se os pais não oferecerem uma base sólida de criação de valores por meio dos vínculos afetivos e das orientações em relação ao mundo.
Teoria do herói e do vilão e a sua importância para uma reflexão sobre o que fazer com as adversidades da vida
Conforme explicou Eduardo, a teoria do herói e do vilão é relacionada à presença, ou, ausência de afeto recebido dos pais ao longo da vida. Sendo assim, na teoria do herói e do vilão um indivíduo pode ser uma pessoa afetuosa por ter convivido com uma relação de afeto advinda dos pais, ou, pode ser uma pessoa fria e que não consegue dar afeto às pessoas ao seu redor, pela ausência vivida. Contudo, Eduardo menciona que, em meio a este dilema, a pessoa tem duas opções: ela pode escolher ser uma pessoa fria por consequência do afeto não recebido, ou, mudar a sua história por tudo que lhe ocorreu. Desta forma, ela pode se tornar de si mesma herói ou vilã.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e confira a resposta de Eduardo aos ouvintes.

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Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias