No Fala Você Notícias desta quarta-feira (31), recebemos Andreia Muniz, representante da comunidade de Taquaril dos Fialhos em Licínio de Almeida. Ela fez uma denúncia sobre a invasão da Vale do Paramirim em suas terras.
Andreia Muniz disse que Taquaril dos Fialhos é uma cidade centenária, localizada no sudoeste da Bahia, em uma região semiárida do sertão. Foi herdado dos seus ancestrais um modo de vida e produção camponesa. Pois, é por meio da terra que eles garantem o abastecimento e o sustento de suas mesas e também das mesas de outras pessoas pelas feiras e produtos que são cultivados lá e vendidos em outros municípios.
A qualidade do solo de Taquaril dos Fialhos é que permite a produção de frutas como manga e maracujá em alta escala para abastecimento em outros estados, como também, o cultivo de mandioca e seus derivados; produção de leite, queijo, requeijão; cachaça artesanal com selo de qualidade (a cachaça de Taquaril dos Fialhos já foi avaliada pela Universidade Federal de Lavras) e é considerada de boa qualidade.
Ela disse que a resistência, a mais de dez anos, a um projeto mineral consiste em saber que se trata de um projeto inviável, de desmonte da biodiversidade e que provoca o apagamento da história da comunidade e dos seus antepassados. Andreia afirma que o projeto viola não apenas o direito de viver na terra de Taquaril dos Fialhos e de produzir, como também, o direito coletivo do abastecimento hídrico de mais de quatro municípios que, inclusive, de acordo com ela, estão ameaçados com este empreendimento.
Andreia Muniz disse que os moldes de operação da empresa Vale do Paramirim segue os moldes do capital com apropriação das terras para realizar empreendimentos de altíssimo impacto social e ambiental “cuja a finalidade é o enriquecimento de poucos a custo de muitas vidas. De uma biodiversidade riquíssima e brasileira. Pois, nós estamos aqui localizados em uma região de transição entre caatinga e cerrado. É deste território que nós estamos falando, que vive, que pulsa a vida. É de uma região fértil que contribui significativamente para a sociedade e também para o município através das feiras locais e também as de outros municípios”, citou.
Andreia disse que hoje faz um ano que a empresa Vale do Paramirim, por meio de uma licença ambiental, chegou no território, fez pesquisa mineral, desrespeitou uma série de condicionantes e fez mais sondagens do que o permitido. Ela disse que, mesmo após denúncias, a empresa segue desrespeitando a comunidade, as leis e também o posicionamento da comunidade.
Ela relatou também, em entrevista, que funcionários da empresa do Vale do Paramirim foram à comunidade sem nenhum tipo de autorização, entraram no território, nas propriedades particulares e fizeram um mapeamento via drone. Sobrevoaram drones nas propriedades, mesmo tendo sido avisados que não poderiam sobrevoar naquele território. Ela contou também que, no ano passado, a Vale do Paramirim foi até a comunidade com policiais fortemente armados para intimidar o povo.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e confira o conteúdo completo desta entrevista.
Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias