André Fraga, engenheiro ambientalista, ativista premiado nacionalmente e internacionalmente por seus programas e projetos de combate as mudanças climáticas, vereador de Salvador, fala sobre a COP 26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas).
O mundo está debruçado sobre medidas para impedir um superaquecimento do planeta em curto prazo, que é o que vem ocorrendo. Para entender sobre tudo isto o Fala Você Notícias de hoje, 09, conversou com um grande ativista ambiental de Salvador.
Vista como a última chance para o mundo, a COP 26, está sendo discutida até o dia 12 de novembro, e para o ambientalista André, “a mutação climática acaba proporcionando uma série de eventos extremamente agressivos, chuvas muito intensas, tornados, secas com a crise hídrica que estamos vivendo no Brasil, na prática também ajuda a reforçar desigualdades, é uma ação em cadeia, inclusive à pandemia que a gente vive é um efeito colateral da mudança climática, e aí entra a importância da 26ª COP”, esclarece.
Segundo André, nos últimos anos, muito pouco se resolveu, muito pouco se alcançou de avanço, e agora se este avanço não vier rapidamente, é por isso a importância da COP, nós podemos enfrentar uma situação nunca antes imaginada, na previsão para o que pode acontecer no mundo se o clima subir da forma como os cientistas tem colocado que subirá, explica André.
Sobre o que contém no tratado entre os países, o ambientalista diz que “o acordo de Paris, que foi na COP 21 em 2015, trouxe de forma geral o compromisso dos países de manter o clima do planeta em 1,5 ºC no máximo. É apresentado um plano aos países, inclusive no Brasil, esses planos são somados pra na conta final ver se de fato conseguiu bater a meta que o acordo de Paris determinou. Quem vai pagar a conta? André diz que o Brasil precisa melhorar uma série de questões. Quem vai financiar? O Brasil não tem condições de fazer tudo sozinho, o governo atual não tem tido a sensibilidade e o olhar estratégico necessário, porque ao invés de incentivar combustíveis fósseis, uma fonte de energia que não se quer mais, está dando um passo atrás, tem que incentivar energia renovável, falta entendimento estratégico no Brasil”, pontua André.
De acordo André, a maior contribuição do Brasil pode ser dada na redução dos gases poluentes com a diminuição dos incêndios e desmatamentos das florestas, porque elas ao assumirem esse papel de recolher o carbono, acabam emitindo. E cada país assume a sua meta.
“O Brasil nesta COP 26 lançou dois compromissos surpreendentemente, que foi a emissão de carbono nas florestas e o programa da redução de emissão de metano, que é um gás muito mais agressivo que o CO2. Agora é, vai implementar de que maneira, como vai tirar do papel? Pra implementar é só executar o plano nacional de mudança do clima, é só executar este plano”, afirma.
“O Brasil sabe de onde vem as emissões da perda das matas florestais, uma matriz energética baseada em termelétricas, pode trabalhar com outra restauração florestal, recuperar florestas para evitar os sequestro de carbono, montar uma transição real pra uma eletromobilidade”, orienta.
Para André, a população pode contribuir no combate a emissão dos gases poluentes evitando comer carne nem quem seja um dia na semana, se juntar com quem pensa igual e começar a pressionar mais os governos, os nossos representantes. “Podemos influenciar muitas pessoas, não esperar só pelos governos, conversar com muitas pessoas, elas vão transformar em escalas, porque a gente não tem tempo”, alerta o engenheiro.
O ambientalista também afirma que a agropecuária impacta na emissão de carbono, “mas não podemos generalizar, tem agricultores e agentes do agronegócio responsáveis, que fazem uma agricultura de baixo carbono, existe um programa chamado ABC que respeita as linhas ambientais, mas tem uma parte que faz muito estrago, que atua de maneira ilegal, que derruba floresta ilegal, que cria produtos e plantas de maneira ilegal, e que estes geram impactos fortemente por conta das derrubadas das florestas”, relata.
O engenheiro ambiental diz que a pergunta sobre se as nações vão cumprir o acordo para a redução da emissão de gases poluentes, “é uma pergunta de um milhão de dólares, e que acredita que possam cumprir até 2050, mas de acordo a inovação é possível até 2030, assim acredita”.
O entrevistado fala de seus projetos de combate a poluição em Salvador, expansão para o interior da Bahia e faz alerta à população regional para agir de imediato para evitar o superaquecimento global. Dê um clique na entrevista e ouça o bate-papo na íntegra.
Assista o vídeo da entrevista
Edição: Neide Lu (MTBE 06466) / Portal Fala Você Notícias