A atriz global Claudia Raia anunciou nas redes sociais a sua terceira gravidez, já aos 55 anos de idade. Com filhos adultos, ela já havia entrado na fase da menopausa. A atriz revelou, em entrevista, para outros veículos de comunicação, que era um desejo seu gerar mais um filho, porque seu atual marido, Jarbas, ainda não era pai. Além da possibilidade de uma gravidez em idade avançada, riscos podem fazer parte de um processo de gravidez nesta faixa-etária. E, para falar sobre os riscos de uma gravidez em idade avançada, recebemos no Fala Você Notícias desta terça-feira (11), a Dra. Mirian Rodrigues Donato, Ginecologista e Obstetra.
Riscos existentes em gravidez com idade avançada
A Dra. Mirian explica que o maior risco na gravidez em idade avançada são as complicações que podem surgir. Pois, detalha que a mulher com a idade avançada tem riscos inerentes ao embrião. Desta forma, ela argumenta que há um risco muito maior de abortamento: “Teoricamente, um risco de abortamento em uma idade fértil, que não é em uma idade avançada, seria em torno de 10% a 40%. E em uma grávida nesta idade, o risco é muito maior, porque o embrião tem mais risco de degeneração e de aneuploidia, que são más formações cromossômicas”, detalhou. Ela, ainda, disse que, durante a gravidez em idade avançada, a mulher tem o risco de ter pré-eclâmpsia, eclampsia, morte materna, diabetes gestacional, hipertensão na gravidez (hipertensão que ocorre especificamente na gravidez e não a hipertensão da pré-eclâmpsia), como também, crianças com baixo peso, partos prematuros e morte neonatal.
A ginecologista explica que a gravidez da atriz global, Claudia Raia, teoricamente, para a medicina seria algo impossível, porém, nunca se deve eliminar possibilidades, já que o comportamento e funcionamento do corpo humano tem suas diferenças. Ela comentou também que é considerado apenas 1% de chance de a mulher engravidar aos 55 anos: “Ela também informou que estava na menopausa e sob tratamento. A não ser que Claudia Raia tenha iniciado um tratamento para menopausa, sem que a menopausa estivesse se instituída, porque a Sobrac (Sociedade Brasileira de Climatério) considera que a mulher após os 55 anos não teria nenhum risco mais de gravidez, e que a gente poderia suspender qualquer método anticoncepcional. E as pacientes que já entraram na menopausa, após um ano, a gente diz que elas também não têm mais riscos de gravidez, porque, um ano sem ovular, sem menstruar, significa que o ovário já não produz mais folículos que respondam aos estímulos hormonais”, ressaltou. Para a Dra. Mirian, a mulher engravidar aos 55 anos é uma situação um pouco perigosa, porque mesmo que ela esteja bem, e, que tenha tido uma vida saudável ao longo da vida, trata-se de uma mulher com um organismo com uma idade já avançada, e que, mesmo com acompanhamento médico, tem os riscos mencionados, ou seja, estas complicações podem se manifestar ao longo da gravidez. A Dra. também informou que, a partir dos 35 anos, a mulher já tem uma gravidez de risco, podendo aumentar o risco a cada ano.
Claudia também revelou ter retirado os óvulos aos 48 anos. Em relação a isto, a Dra. Mirian disse que se trata de óvulos que podem ter complicações. E para complementar esta fala, ela citou: “A taxa de aneuploidia, que são alterações no cromossomo, em pacientes com 35 anos, é de 10% de risco. De 35 a 40 anos, 30% o risco de ter alterações cromossômicas. Com 43 anos, o risco é de 50% e, após os 45 anos, tem trabalhos que consideram 100% de risco de aneuploidia”, mencionou. A obstetra também citou que, nenhum serviço de reprodução humana recomenda a retirada de óvulos aos 48 anos, justamente porque já são óvulos de péssima qualidade. Ela disse que a recomendação é que seja antes dos 35 anos e, ainda assim, é realizada uma avaliação da reserva ovariana da paciente. A avaliação é realizada através da dosagem de hormônios, no qual, analisam se respondem bem. É avaliado também o ovócito colhido, para saberem se realmente há uma boa fecundação.
A Dra. ressalta que, atualmente, muitas mulheres adiam a gravidez para se dedicarem a construção de uma vida financeira estável, mas, alerta que não deve adiar muito, porque o ideal é que a gravidez antes dos 35 anos, ou, que tenha uma gravidez por óvulos doados por pacientes jovens. Um procedimento permitido e realizado no Brasil.
Ao falar sobre a taxa de ovulação, ela ainda citou que a taxa de fertilidade até 20 anos, há 25% de chance de uma gravidez ocorrer em uma ovulação, de 21 a 30 anos, ela cai para 20%, de 31 a 35 anos, 15%, de 40 a 44, 5%, e 3% para mulheres com mais de 45 anos, e após, 1%. Mostrando que há uma queda muito relevante de chances de gravidez, ao longo dos anos, até chegar no período da menopausa.
Recomendação da Dra. Mirian sobre a forma ideal de prevenção contra o câncer de mama
Estamos no outubro rosa, mês de combate ao câncer de mama, por meio de campanhas de conscientização e orientação para que as mulheres realizem o autoexame de mama. Em entrevista, a Dra. Mirian disse que a primeira recomendação, que é a clássica da Sociedade Brasileira de Mastologia, é que a mamografia deve ser realizada a partir dos 40 anos, anualmente, e até o período em que é considerado que a paciente tenha pelo menos a possibilidade de sobrevida de até sete anos. Desta forma, em casos de pacientes com 71 anos, que ainda se encontram produtivas e que não tenham nenhum problema de saúde, e que tem a tendência de viver mais do que sete anos, Dra. Mirian disse que o rastreamento de câncer de mama neste tipo de paciente deve continuar sendo realizado. Para pacientes com histórico de câncer de mama na família, o rastreamento deve ser realizado com mais rigor e é sempre levado em consideração a idade em que a mãe teve o câncer de mama. Em pacientes jovens, o rastreamento é realizado com ultrassom de mama, porque a mama normalmente é densa, podendo não ser possível ser visualizado os sinais mínimos de câncer, que são as microcalcificações.
Contudo, ela conclui que as mulheres que realizam o exame anualmente, e que, se por ventura surgir com câncer de mama, o tratamento é mais fácil de ser realizado e as complicações são menores, do que em mulheres que não realizam anualmente o exame. Por isso, ela reforça a importância da realização do exame anualmente, mesmo sendo particular, já que o governo oferece o exame gratuito apenas de dois em dois anos.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e confira a explicação da Dra. Mirian sobre a menopausa.

Assista o áudio da entrevista:
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Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias