Infectologista Dra. Vanessa Teixeira dá todas as informações sobre varíola dos macacos; saiba como se previnir

2 de agosto de 2022

A varíola dos macacos é uma doença causada pelo vírus monkeypox e ela tem se espalhado em vários lugares do mundo. No Brasil, até o momento, foi registrado um caso de óbito por consequência desta doença, que ocorreu em Uberlândia (MG). De acordo com a Secretária de Saúde do Estado de Minas Gerais, o paciente era um homem de 41 anos, com graves problemas de imunidade e estava internado no Hospital de Menezes, em Belo Horizonte. No entanto, O Ministério da Saúde vem alertando a população e o governo, principalmente, depois do aumento de casos no país, pois, até o momento, foram registrados 1.369 casos da varíola dos macacos. E, para levantar esclarecimentos sobre a varíola dos macacos, afim de manter a população guanambiense informada e prevenida em relação a esta doença, a jornalista Neide Lu entrevistou, ao vivo, no Instagram, para o Fala Você Notícias desta terça-feira (2), a médica infectologista, Dra. Vanessa Teixeira.

O que é a varíola monkeypox?

Conforme Dra. Vanessa Teixeira, o monkeypox é um vírus conhecido, que surgiu desde o século passado, porém, com registros restritos, como em alguns locais mais isolados da África, e, com apenas pequenos surtos, com o número de registros entre 200 a 300 casos.  Ela conta que este vírus nunca havia se espalhado como agora.

Segundo a infectologista, o vírus da monkeypox é da mesma família do vírus da varíola, porém, ele não tem uma ligação direta com a varíola humana. Sendo assim, ela esclarece que ele não irá se transformar na varíola humana e, aparentemente, não terá a mesma gravidade que ela teve na época em que existiu. “O monkeypox é um vírus primo da varíola e também é parecido com o vírus da catapora, que é um vírus de uma situação também mais benigna”, afirmou.

Possíveis formas de contágio da monkeypox

Ao comentar sobre a forma de contágio, Dra. Vanessa disse que, de acordo com o que vem sendo narrado até agora, o contágio não ocorre através das vias aéreas como acontece com a covid-19, mas sim, por meio do contato direto com as lesões da pessoa contagiada: “Então, se uma pessoa tem lesões (as feridas), as bolhinhas da monkeypox, e ela tem contato direto com outra pessoa, um contato mais próximo, ou um contato íntimo, pode haver a transmissão. Existe também a possibilidade de gotículas, ao falar, você acabar contaminando outras pessoas. O que se tem pedido para tomar cuidado é justamente com o contato corpo-a-corpo e pele-a-pele com a pessoa que está com as lesões ativas da monkeypox”, detalhou.

Ainda, ela acrescentou que, possivelmente, uma pessoa pode pegar o vírus da monkeypox de outras por meio da troca de objetos, por exemplo, ao utilizar um mesmo copo ou talher que a pessoa contaminada tenha usado ou mesmo uma toalha de banho, porque se a pessoa tiver alguma lesão em cavidade oral ativa, como na boca, este local contém vírus. Mas, alerta que, ao suspeitar que está contaminado pela doença, o ideal é que faça um isolamento completo, tanto da parte respiratória, ficando em quartos separados, tanto em relação ao contato, evitando dividir qualquer tipo de utensílio ou qualquer objeto que possa estar transmitindo o vírus de uma pessoa para a outra.

Principais sintomas da monkeypox

Ao descrever os sintomas, Dra. Vanessa listou que o principal é a lesão de pele: “A gente tem visto em relatos de casos que, à medida que os números de casos vêm crescendo, a gente tem visto mais claramente como são estas lesões de pele. Eles descreveram as lesões de pele muito característica daquela lesão parecida com a catapora, que começava primeiro com uma mácula, como se fosse uma picada de mosquito, que vai crescendo e se transforma em uma bolha, como se fosse uma bolha de catapora e ela começa a encher de pus. Então, algumas vezes, ela vem com um líquido claro ou com um liquido purulento e depois estoura e forma a ferida. Porém, a diferença entre a lesão da monkeypox para a da catapora é que a da monkeypox, algumas vezes, é mais agressiva e mais profunda do que a da catapora e ela também demora mais para cicatrizar. A Dra. Vanessa também apontou que há relatos de pessoas que levaram até 30 dias para ter a cicatrização da lesão causada pela monkepox. Ela citou também que outra característica muito importante é o fato de as lesões terem aparecido de forma muito frequente em áreas genitais: “É justamente por isso que tem que ter aquele cuidado durante as relações sexuais, porque o contato é muito íntimo. Então, muito destas lesões estão aparecendo em regiões genitais que são nas regiões do pênis, da vagina, ou seja, em regiões de perigo”, frisou. A Dra. Vanessa esclarece que a monkeypox não foi classificada somente como uma doença sexualmente transmissível e disse que o que houve foi uma solicitação para que tenham um cuidado muito grande, principalmente pessoas que têm relações sexuais com vários parceiros, como também, em relação a homossexuais, porque ela relata que, neste grupo, tem se notado um grande número de infectados pela doença.

Monkeypox e o alerta de emergência de interesse internacional por meio da Organização Mundial da Saúde

Questionada pela jornalista Neide Lu sobre o que muda após a OMS (Organização Mundial da Saúde) ter feito um alerta de emergência de interesse internacional em relação a monkeypox, Dra. Vanessa respondeu que, após este alerta, cada país terá que traçar a sua estratégia de cuidado, para que não haja mais casos desta doença. Portanto, ela disse que a OMS fez este alerta, no intuito de fazer as pessoas entenderem que a doença está se espalhando e que, por isso, deve haver uma preparação para que mais casos não ocorram, bem como, para providenciar medidas de combate, caso piore o quadro do alto número de infectados.

Ela também foi questionada pela Jornalista Neide Lu em relação ao fato de os profissionais da saúde afirmarem, até o momento, que a monkeypox não é uma doença perigosa e ter ocorrido recentemente aqui no Brasil o primeiro óbito por influência desta doença: “Tudo a gente calcula em taxa de letalidade e mortalidade, quando a gente falava, por exemplo, da covid, na época da pré-vacinação, a gente observava que a cada 100 pessoas que pegavam, havia uma taxa de mortalidade de duas pessoas e taxa de letalidade de duas a três pessoas, então, a cada 100 pessoas que pegavam a covid, ocorria de um a dois óbitos e eram óbitos, principalmente, de pessoas idosas. Quando nós vemos que temos 1.600 casos já de monkeypox com apenas um óbito, a gente percebe que esta taxa de letalidade é muito mais baixa do que a taxa de letalidade da covid. Então, monkeypox em si, é uma doença que, até agora, nos casos ativos, não tem uma gravidade muito grande, pois, de 1600 casos, houve um óbito, então, a gente tem 0,005% de óbito. E foi o óbito de um paciente que tinha uma imunossupressão grave; um paciente em tratamento de câncer. Então, em uma população que a gente vê que as doenças costumam se complicar mais. Mas não é por isso que devemos deixar de ter cuidado, porque, se a gente não tiver cuidado, a gente terá um número muito grande de casos; se nós não tivermos prevenindo e um número muito grande de casos sempre irá levar a um risco de um ou dois óbitos, independente do que seja, e nós não queremos óbitos, quanto menos casos menor a possibilidade de óbito. Mas também, não existe aquela preocupação de que a doença é tão agressiva como foi a covid”, relatou.

Monkeypox e possíveis formas de tratamento

Portanto, no que diz respeito às formas de tratamento, a especialista confirmou que, até o momento, não há nenhum tratamento específico contra a monkeypox, mas sim, medidas de suporte, entre elas: não deixar que as lesões da pele cheguem a um estado de complicação, porque pode levar a uma infecção bacteriana, pelo fato da ferida estar aberta, podendo ocasionar em uma complicação que pode levar a morte. Além disso, o tratamento é feito também por meio do uso de antitérmico, remédios para dor, evitando que ela não se complique para uma infecção secundária. Para além disso, a Dra. sinaliza também que a monkeypox se trata de uma doença que, enquanto a pessoa estiver com a lesão ativa, que são as feridas, ela pode continuar transmitindo. Por isso, alerta que o isolamento e o distanciamento devem ser cumpridos até que todas as lesões estejam cicatrizadas, para que, desta forma, haja a contenção de mais disseminação desta doença.

Dê um clique no vídeo ou no áudio e saiba o que a Dra. Vanessa falou sobre: “Previsão da chegada das vacinas contra a monkeypox”; “Funcionamento da vacina”; “Possíveis grupos de riscos que serão vacinados com a primeira remessa da vacina”; bem como, o posicionamento da especialista em relação ao processo de viabilização das vacinas para o Brasil, dentre outras informações suplementares.

 

Assista o vídeo da entrevista

Edição: Dani Rodrigues e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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