Julho Amarelo; mês de combate às hepatites virais; por Rita Castro

28 de julho de 2023

No Fala Você Notícias desta sexta-feira (28), recebemos Rita Castro, coordenadora do Centro de Referência em IST/Aids/ HTLV e Hepatites Virais de Guanambi. Ela falou sobre o Julho Amarelo: Mês de prevenção às hepatites virais.

De acordo com Rita Castro, IST trata-se de infecções sexualmente transmissíveis. Antigamente, era utilizada a sigla DST, mas ela relata que mudou porque DST é aquela pessoa que já tem o sintoma da doença e que já apresentou, em seu corpo, porém, nem toda IST apresenta sintomas: “Às vezes, a pessoa se infecta, está infectado, tem a infecção de alguma bactéria ou vírus que causa a doença, não manifestou, mas já deve ser tratado. Então, ao invés de esperar tratar a doença, deve tratar a infecção, por isso, a mudança da nomenclatura”, disse.

Já HTLV, ela explica que é uma das doenças sexualmente transmissíveis. É um vírus da família do HIV, que ainda não tem cura, mas sim tratamento. Ela é diferente do HIV e tem uma vantagem e desvantagem em relação ao HIV. A vantagem é que nem todas as pessoas que se infectam vão manifestar. Em média 90% a 95% das pessoas podem ter o vírus e não se manifestar. A desvantagem é que as 5% ou 10% que se manifestam não têm um tratamento específico como o HIV. Desta forma, é preciso esperar só a manifestação e tratar somente a manifestação.

Ela cita que de todas as formas que se pega o HIV pode também pegar o HTLV, ou seja, por meio de relação sexual desprotegida (sem o uso da camisinha), contato com material biológico, da mãe pra o filho e na amamentação.

Rita Castro relata que o importante é estar sempre realizando testes destas doenças virais, porque, quando se descobre antes, embora não tenha o tratamento específico, aquele paciente receberá acompanhamento médico.

Apesar de muitas pessoas terem medo de fazer os testes e descobrirem que estão com alguma das doenças virais, Rita Castro enfatiza que o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Ela esclarece que não saber que tem a doença, não irá tirar a doença, mas sim, retardar o tratamento.

28 de julho de 2010 foi designado o dia mundial de combate às hepatites virais. Ela cita que, até 2019, era trabalhado no mês de julho algumas atividades. A partir do dia 19, houve uma portaria que lançou a campanha Julho Amarelo, de combate, prevenção e vigilância as hepatites virais.

Durante este mês de julho, além das testagens rápidas, foram também realizadas algumas outras atividades, testagens na policlínica do Estado em servidores e também em pacientes. Houve também, atividades em unidades básicas de saúde com as testagens. Ontem, foi realizada uma atividade na Praça do Bradesco, foram realizadas testagens. Além das testagens para as hepatites virais, foram realizadas testagens para sífilis e HIV. Ela cita que só não tem teste para o HTLV. O HTLV é somente sorologia e é feita apenas na unidade de saúde. Somente ontem, foram realizados 80 testes.

Hoje, foi posto um carro de som nas ruas da cidade de Guanambi, passando informações sobre a campanha Julho Amarelo como forma de prevenção.

Em relação aos testes realizados, ela disse que alguns deram positivo. As pessoas cujos testes deram positivo foram encaminhadas para unidade de saúde para que consigam fechar o diagnóstico, isto, porque, às vezes, pode haver alguma intercorrência do organismo que pode interferir no resultado: “Porque, nem sempre o primeiro teste confirma, porque, às vezes, há alguma intercorrência do organismo, alguma vacina, alguma virose. Como são vírus também, o teste pode reagir como positivo. Isso serve como triagem, e, a partir daí, a gente faz exames mais específicos onde a gente fecha ou não o diagnóstico para iniciar o tratamento caso o diagnóstico seja fechado”, cita.

No que diz respeito à importância de se falar sobre as hepatites virais, ela disse que é relevante falar, porque se tratam de doenças silenciosas. Estas doenças podem ficar no organismo humano em torno de 20 a 30 anos. Como consequência, a pessoa que fica com uma hepatite viral por vários anos, esta doença pode se transformar em uma cirrose ou em um câncer de fígado. Os sintomas começam aparecer quando a pessoa já está com a cirrose ou com o câncer. Nestes casos, às vezes tem tratamento, às vezes não, mas as pessoas ficam com sequelas e podem até ir a óbito. Ela disse que a hepatite C tem tratamento e cura.

Segundo Rita Castro, existe uma medicação importada no valor de R$ 200.000,00 que é utilizada para o tratamento de hepatites virais. Esta medicação é custeada pelo SUS e, com três meses, a pessoa consegue tratar a hepatite com sucesso.

Dentre os sintomas da hepatite, Rita Castro citou: cansaço, dor abdominal, pele amarelada, urina com coloração cor de Coca-Cola e fezes embranquecidas. Todos estes são sintomas que aparecem em uma fase mais avançada.

Conforme Rita Castro, a hepatite B nem sempre tem cura, principalmente quando há um diagnóstico tardio. Já no caso da hepatite C, assim que diagnosticado, deve iniciar o tratamento o quanto antes para que tenha a cura, mesmo sem sintomas

Há também a hepatite alcoólica causada em pessoas que fizeram o uso de álcool por muito tempo e também a hepatite medicamentosa, causada em pessoas que usam muita medicação por um período prolongado.

A hepatite A tem a maior quantidade de número e tem uma cura espontânea. Seu sintoma, geralmente, são olhos amarelados e também pele amarelada. O seu contágio é oral fecal. Há um índice maior desta hepatite em locais que não têm boas condições de saneamento. Lavar bem as mãos e tomar a vacina é uma forma de prevenção desta hepatite. A hepatite B, a transmissão maior é pela via sexual ou por contato com sangue, por meio de materiais cortantes, como alicate de unha, lâmina de barbear; materiais cirúrgicos, quando não esterilizados corretamente; material odontológico, quando não esterilizado corretamente; e da mãe para o filho. A hepatite C tem uma transmissão sexual menor, é mais transmitida pelo sangue e por transição vertical, ou seja, da mãe para o filho, durante a gravidez, e o parto. Para a hepatite C, não tem vacina, sendo necessários os cuidados relacionados à prevenção. Em relação à hepatite D, é mais comum na região norte, e ela só surge após a infeção da hepatite B. A vacina de hepatite B previne também contra a hepatite D. A hepatite A é muito rara no Brasil, ela se manifesta mais na África e na Ásia. Ela é transmitida de forma oral fecal e não cronifica e nem tem maiores consequências.

Conforme Rita Castro, todos os testes devem ser feitos logo após a vida sexual ativa e também por meio de testes rápidos para rastreamento da doença.

Dê um clique no vídeo, ou, no áudio e confira o conteúdo completo da entrevista.

Assista o vídeo no YouTube: 

Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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