No Fala Você Notícias desta quarta-feira (26), recebemos Miriã Lima, médica de família e comunidade, especialista em saúde coletiva, tutora do Programa Médicos pelo Brasil e, atualmente, é alocada em Palmas de Monte Alto. Ela falou sobre as consequências do lixo jogado a céu aberto.
De acordo com a Dra. Miriã, a medicina de família e comunidade é uma especialidade médica que cuida da pessoa em todos os seus ciclos de vida. Este tipo de especialista acompanha a criança, o adolescente, a mulher nas questões ginecológicas; acompanha na gravidez; cuida do adulto de maneira geral; e nas doenças crônicas do idoso. Cuida também da pessoa nas transições de fim da vida, com cuidados paliativos.
Para além disso, o médico de família e comunidade tem um treinamento pra olhar e ver como a pessoa se insere dentro da sua família; como que a pessoa se insere dentro da comunidade e como os eventos comunitários interferem no processo de adoecimento dos indivíduos.
O atendimento e cuidados com as pessoas acontecem dentro de um contexto da atenção primária. Conforme Dra. Miriã citou, segundo a Agência Nacional de Saúde no Brasil, 85% de todos os problemas de saúde podem ser passíveis de resolução dentro da atenção básica, através de um médico de família e comunidade. Quando são questões que o médico de família não consegue resolver, encaminham o paciente para a atenção secundária, ou seja, para os especialistas focais.
A gestão do cuidado na medicina de família e comunidade descrita por Dra. Miriã é como se juntasse as peças de um quebra cabeça das outras especialidades, levando em consideração o contexto o qual o paciente está inserido, suas vulnerabilidades para, assim, gerenciar melhor as necessidades de saúde do indivíduo.
Dra. Miriã relata que o descarte adequado do lixo é uma preocupação de ordem sanitária ambiental do mundo inteiro. Ela disse que o lixo em local inadequado, além de toda a problemática ambiental, ele pode provocar proliferação de animais que são vetores de doenças como dengue, zika, Chikungunya e a proliferação de animais peçonhentos: “Agora, a gente está tendo um grande número de animais como escorpião, ratos, baratas… por conta deste lixo depositado”, disse.
Ela disse que uma das formas de evitar o acúmulo de lixo é se conscientizar em relação ao consumo adequado das coisas. Ela disse que é necessário reduzir, reutilizar e reciclar: “A gente vai reduzir o consumo; a gente vai reutilizar materiais enquanto puderem ser reutilizáveis, e a gente vai reciclar aqueles que tiverem chegado ao fim de sua vida útil”, citou. Ainda, ela disse que é necessária uma coleta seletiva para ajudar na redução do lixo. Porém, em Guanambi, se está longe, pois não teria como abranger o lixo de toda a cidade.
Para amenizar a situação do lixo em Guanambi que tem sido denúncia da população através do Movimento Fora Lixão, a Dra. Miriã disse que uma das alternativas poderia ser o aterro controlado, que é a abertura de buracos para ir enterrando o lixo por camadas. Mas ela disse que isso também prejudica o meio ambiente, porque pode contaminar o solo e, consequentemente, os alimentos que consumimos: “Mas, dentro de um contexto em que não temos outra alternativa a não ser espalhar o lixo, esta seria a alternativa menos pior”, citou.
No que diz respeito ao lixo depositado às margens da BR e próximos de residências, a Dra. Miriã disse que isso pode ocasionar em proliferação dos vetores de doenças, riscos de atropelamento, porque os animais vão até o local a procura do lixo orgânico para se alimentar, e de contaminação do solo e dos rios. Além disso, pode gerar morte dos animais que vão até o local comer lixo.
Ao citar sobre os órgãos que cuidam do meio ambiente no Brasil, Dra. Miriã disse que há o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis); o Instituto Chico Mendes, na Bahia, há o INEMA (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos). A nível municipal, tem a Secretaria de Meio Ambiente e a Vigilância Sanitária.
Em Palmas de Monte Alto, a Dra. Miriã falou que foi feito um projeto de enfrentamento. O pessoal do projeto enviou um ofício à Secretaria de Saúde, à Secretaria de Obras e à Secretaria do Meio Ambiente: “Lá em Palmas de Monte Alto, a gente foi muito bem recebido. Inclusive a Secretaria de Obras já iniciou um trabalho de coleta deste lixo. A Secretaria do Meio Ambiente, junto com a gente, já está trabalhando com a mobilização social. Eles estão indo nas escolas lá, para orientar como é que deve ser feito este descarte do lixo. Eles têm até orientado como é que se faz a compostagem, que é a forma de reciclar o lixo orgânico, que é muito importante para o pessoal da zona rural que tem plantações. Ajuda bastante. E está sendo um trabalho muito legal lá”, menciona.
Ela relata que algumas pessoas de Palmas de Monte Alto e de Guanambi que vão para lá passar o final de semana, quando saem das suas casas e das suas chácaras, deixam o lixo jogado aos arredores da BR 030. Em relação a este hábito, ela disse que é preciso denunciar, pois, é um crime ambiental.
Sobre o problema da queima do lixo na cidade no lixão de Guanambi, a Dra. Miriã disse que, quando é realizado esta queima, emite uma fumaça tóxica que pode prejudicar a saúde. Inclusive, pessoas que têm doenças respiratórias, a queima pode agravar as crises destas doenças.
Para tentar solucionar os problemas relacionados ao lixo, a Dra. Miriã comenta que, primeiro deve haver a conscientização pessoal, que é ter consciência de que o lixo gerado dentro das casas e das instituições são de responsabilidade de todos. A segunda alternativa é denunciar pessoas que jogam lixo a céu aberto aos órgãos competentes, como à Vigilância Sanitária e também ao IBAMA. Se, ainda assim, não forem atendidos, há a Defesa Civil do Estado da Bahia, que disponibiliza um passo-a-passo de denúncias.
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Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias