O que eu tenho é medo, ansiedade ou depressão? Por Curt Hemanny, psicólogo

1 de novembro de 2022

Ansiedade, medo ou depressão são questões confundidas por muitos que não conseguem entender as origens e fatores correlacionados. Para explicar o que é cada um, recebemos no Fala Você Notícias desta terça-feira (1) o psicólogo clínico, Dr. Curt Hemanny.

Dr. Hemanny explica que as pessoas ficam muito confusas com os seus sentimentos pelo fato de não saberem olhar para dentro da forma certa, ou, porque não sabem descrever o que sentem, algo que é um fator de confusão. O psicólogo explica que o processo de experienciar a dor causa um certo alívio, pois, é neste momento que aquele sentimento estranho ganha sentido. Ele relata que não aprendemos a fazer este exercício de olhar para dentro e tentar decifrar o que se sente de forma adequada. Dar nome a dor é uma atitude que faz uma grande diferença no processo de cura da dor.

Hemanny relata que atende muitos jovens que estão na primeira fase da idade adulta inicial, que chegam ao consultório ansiosos e dizem que não se sentem ansiosos e preocupados, porém, dizem que não conseguem dormir. Além disso, também relatam estarem consumindo mais bebida alcoólica e estarem irritados com a família e com pessoas ao redor.

Ao citar sobre os sinais externos da ansiedade, o psicólogo citou que o indivíduo ansioso passa a ficar de um jeito diferente, de forma que as pessoas passam a notar. Como também, a pessoa passa a ficar mais irritada, impaciente, começa a tentar dormir mais cedo e acorda de forma precoce, ou seja, na madrugada, na maioria das vezes, com um sono interrompido e também começa a sentir dores no corpo.

O exercício de percepção do corpo no processo de distinção e caracterização das emoções

Ele ensina que é necessário tentar perceber o corpo; tentar sentir se o coração está batendo mais acelerado, começar a perceber a testa, face, garganta, peito, abdômen e os ombros para descobrir se alguma zona destas regiões está tensa, torcida como se estivesse rígida, ou, com um bolo na garganta. Ou, até mesmo, com pensamentos acelerados, negativos, do tipo “E se”, “Meu Deus, o que será?”, “Não quero nem pensar nisto”, etc. “E aí você começa a fazer alguma coisa para se distrair e faz de forma rápida, impulsiva. Se vê comprando muito mais do que você comprava; bebendo muito mais do que você bebia; mudando a rotina; se isolando mais. Estes são sinais de ansiedade, ou, depressão, pois, elas caminham muito próximas”, explicou.

O que define o medo?

Ao caracterizar o medo, ele explica que se trata de uma emoção. Em relação às emoções, ele também cita que é algo muito observável, a exemplo do medo, e que, dentro do medo existem outras emoções, a exemplo da ansiedade. Ele detalha o medo como uma sensação de que uma coisa terrível irá acontecer: a pessoa sente pavor. Nem todos sentem medo o tempo todo, mas sim, ansiedade, ao pensarem em várias preocupações cotidianas diariamente. Tensão e coração apertado são sinais presentes em 70% dos casos de pessoas ansiosas, explica Curt.

A educação psicológica como um fator importante no controle das emoções

Curt também falou sobre a importância da educação psicológica precoce. Ele cita que um estudo indica que se o ser humano tivesse tido treinos emocionais desde a infância, muitos fatores que são apresentados como doenças seriam amenizados: “Às vezes, a gente atende alguma pessoa que teve uma boa escolaridade, mas que não teve um ambiente que ensinou a lidar, ou, pelo menos, a identificar emoções. Isso faz toda a diferença”, afirmou.

Características da crise de pânico

O psicólogo também definiu o pânico. Ele mencionou que se trata de um medo absurdo. É uma reação multiplicada por 100. É um terror, que causa sintomas como: tremores, taquicardia, todas essas sensações ao mesmo tempo, de forma intensa, repentina. Como também, tensão muscular, bolo na garganta, sensação de um perigo iminente. Algumas pessoas sentem que irão morrer a qualquer momento, em mais ou menos um período de dez minutos, outras se sentem fora do corpo. São sintomas físicos tão próximos a um estado de mal súbito, fazendo com que muitas pessoas acabam indo parar no hospital. Porém, os médicos reconhecem com muita facilidade que não se trata de um mal súbito ou algo fisiológico, relatou Curt.

A receita para a manutenção da saúde mental

Estar bem consigo mesmo; a satisfação com a vida, são fatores que levam um ser humano a ficar menos propício a doenças psicológicas. A satisfação, para Curt, está relacionada a degustação, desfrutação da própria vida. Esta satisfação e degustação em relação à vida precisa estar presente em vários âmbitos, seja ele profissional, afetivo, nas relações humanas, dentre outros contextos.

Buscar o que dá prazer é algo que proporciona ao ser humano uma boa saúde mental. É justamente, também, aquilo que as pessoas, quando estão ansiosas e depressivas, desaprenderam ou não aprenderam a ter, que é a satisfação com a vida. O prazer, para Curt, é algo que é preciso que seja resgatado, buscado, pois, é o que muitos entendem como sentido, propósito e metas para a vida.

Dê um clique no vídeo ou no áudio e assista o bate-papo completo da entrevista com o psicólogo Curt Hemanny.

Assista o áudio do bate-papo:

 

 

Assista o vídeo do bate-papo:

Perfil Dr. Curt Hemanny

•Psicólogo Clínico
•Formação em Terapias Comportamentais e Cognitivas
•Experiência em Terapia de Ativação Comportamental, um dos tratamentos mais eficazes para a Depressão
•Doutorado e Mestrado pela UFBA.

Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias

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