No Fala Você Notícias desta quarta-feira (19) recebemos a psicóloga clínica Maria de Lourdes. Ela falou sobre como lidar com a carência e a rejeição.
De acordo com a psicóloga Maria de Lourdes, a carência e a rejeição são coisas criadas por crenças vividas na infância. Ela explica que crenças são falas e ações que fazem com que o indivíduo vá acreditando que determinada coisa é algo natural e que todos pensam da mesma forma: “No nosso dia-a-dia, nós vamos pegando falas, sentimentos, sensações que a gente teve desde a infância e traduzindo isto para sentimentos negativos. E isto vai fazendo com que eu vou lendo o outro e lendo as situações de uma forma disfuncional, ou seja, tem muito sentido pra mim, mas, necessariamente, para o outro não é o mesmo sentido. Só que esta forma disfuncional faz com que eu sofra”, disse.
Ela citou o livro “As Cinco Feridas Emocionais”, da autora Lise Bourbeau. Na obra, ela retrata que, durante a nossa vida, somos permeados por cinco feridas emocionais. E, a partir destas feridas, o ser humano vai criando máscaras: “A ferida da rejeição é a primeira, que ela fala que o início de vida. É aquela minha relação de apego que eu mantenho, porque o bebezinho, quando ele está dentro da barriga da mãe ou ele nasce, o primeiro contato é com a família. Então, são as minhas relações de apego, que eu vou tendo”, disse. Ela explica que, se é uma relação de apego forte e eficiente, o bebê irá se sentir amado. E que estes sentimentos fazem com que a criança traduza de uma forma mais evitativa ansiosa e faz com que ela se sinta rejeitada. As outras feridas trazidas pela autora citada é a do abandono, da humilhação, da traição e da injustiça.
Maria de Lourdes explica que rejeição é repelir, afastar, recusar, por de lado, largar, não acolher, não assimilar, excluir. Já o abandono significa alguém se afastar em prol de uma outra coisa ou de um bem maior. E rejeitar é não querer tê-lo ao lado: “É muito comum na pessoa que tem a ferida da rejeição a gente ouvir aquela frase ‘Eu não quero’. E do abandono a frase ‘Eu não posso’. São palavras recorrentes que a gente identifica”, detalhou.
A psicóloga comentou que o objetivo da máscara que vai sendo criada é o de evitar um sentimento de rejeição. Ela cita que a ferida da rejeição parte através do genitor do mesmo sexo. Uma mulher, por exemplo, se tiver uma ferida da rejeição será da sua relação com a mãe. Se for um homem, a ferida da rejeição partirá da relação que ele teve com o pai. De acordo com estudos, Lourdes disse que o genitor do mesmo sexo tem como função nos ensinar a amar, a amar a si mesmo e a dar amor. E a função do genitor do sexo oposto é a de nos ensinar a receber o amor.
Os sinais de uma pessoa que foi ferida, para além do momento em que ela foi rejeitada, são: sentimento de decepção, frustração, dúvida, insegurança, tristeza e incertezas. Além disso, a pessoa sempre irá procurar o amor do genitor, se é uma mulher, ela irá procurar o amor da mãe, se é um homem, irá procurar o amor do pai. Em relação a crenças, terá crenças de inutilidade e desvalor. Se um filho falar, por exemplo, que ama muito o pai, ele irá perguntar o porquê ele ama, porque acha que não é merecedor. Se compara muito com os outros e sempre se vê de uma forma pior do que ele é. Tem dificuldade de acreditar que, em uma amizade, o seu amigo pode gostar de estar na relação de amizade. Rejeitar a si próprio também é um sinal; crenças de não merecer a existência; se culpa porque o outro não a quis; não acredita que merece o amor; apresenta medo; acha que as pessoas conversam com ele, ou tem algum tipo de relação por obrigação ou por interesse; tem poucos amigos na escola, no trabalho ou no âmbito religioso. Enfim, são pessoas que evitam a todo momento serem vistas para não serem queridas.
Lourdes menciona que as carências afetivas e a rejeição estão totalmente relacionadas. Tratam-se de demandas que o paciente terá e que são as necessidades afetivas da pessoa, que, em algum momento, não foram supridas e que é necessário entender. Por exemplo, uma família pouco afetuosa, que dava pouca segurança afetiva para o paciente, a tendência, quando essa pessoa ter outras relações, é que ela se sinta rejeitada, evitativa: “Então, se uma pessoa passa e cumprimenta ou cumprimenta de uma forma diferente, ela se sente rejeitada, humilhada. Se cumprimenta você e não me cumprimenta, da mesma forma, eu me sinto. Ela sempre terá estes comportamentos”, disse.
A psicóloga disse que é importante se conhecer, e conhecer quais são as carências que as permeiam e do que sente falta. Em quais situações percebe essas emoções de frustração; quais pensamentos estão relacionados e que surgem como pensamentos automáticos; qual o comportamento toda vez que surge o gatilho; como irá se comportar através disto. Ela ressalta que uma das coisas mais importantes é parar para pensar sobre o que a pessoa quer e o que ela está transmitindo. É importante também saber como se comunicar, porque, nem sempre, quando nos comunicamos, a outra pessoa entende o que está sendo falado.
Contudo, para superar estes sentimentos, Lourdes fala que se deve entender, aceitar, elaborar e trabalhar os sentimentos de frustração por causa da rejeição. Se comunicar melhor; focar em si; tentar entender o lado do outro; entender o seu limite; não implorar atenção e amor; valorizar a si mesmo; mentalizar as suas qualidades; cercar-se de pessoas queridas; ter autoestima, autovalor, autoeficácia e ter autoconhecimento, por meio da psicoterapia.
Dê um clique no vídeo, ou, no áudio e confira a entrevista completa.

Assista o áudio da entrevista:
Assista a entrevista no YouTube:
Edição: Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias