2 de abril foi o dia instituído para conscientização do autismo, e, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007. A data foi escolhida com o intuito de levar à população informações para a redução do preconceito e discriminação contra as pessoas que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). E, para esclarecer mais sobre esta condição, o Fala Você Notícias desta segunda-feira (10) recebeu Maria de Lourdes Silva, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental clínica e mestra em educação. Ela falou sobre o autismo, um transtorno familiar.
De acordo com a psicóloga Maria de Lourdes, TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento o qual a pessoa apresenta comprometimentos em alguns campos, dentre eles, dificuldade na comunicação social, dificuldade de interação com o outro, padrões de comportamento às vezes repetitivos, ou, restritivos. Ela disse que os níveis de gravidade deste transtorno são três: leve, moderado e severo. O leve consiste em uma dificuldade de iniciar interações com outras pessoas; o moderado trata-se do déficit na comunicação verbal e não verbal. Já o severo é uma intransigência de comportamento; dificuldades excessivas na mudança de rotina.
Ela pontua que cada autista é um autista, ou seja, as definições existem apenas para ajudar os profissionais e os pais a entender um pouco mais sobre o transtorno. Porém, há autistas que irão manifestar outros tipos de comportamentos como, por exemplo, fascinação por objetos; desejos de manter as rotinas; evidências de inteligências, dentre outros comportamentos.
Entenda como é o bebê idealizado e o bebê real
Ao falar sobre o bebê idealizado pelo casal e do bebê real, a psicóloga Maria de Lourdes ilustra que é como se fosse a programação de uma viagem para o Japão. A viagem é como se fosse o filho. Antes da viagem, tudo é muito idealizado. Ao desembarcar na viagem, que seria para o Japão, descobrem que estão nos Estados Unidos, que há uma outra cultura, outros roteiros turísticos, que não foi estudado e nem preparado antes para aquele lugar: “Então, quando eu embarco em um lugar onde eu não esperava, eu vou ter que me readaptar. Eu vou precisar me acostumar. Uma das primeiras coisas é digerir esta mudança, esta notícia, me organizar, me ambientalizar e vou começar a fazer planos, nos Estados Unidos e não no Japão”, ilustrou. Ela disse que o bebê real e o bebê imaginário é quando o casal planeja ter um filho e idealiza algumas questões que somente quando o bebê nasce terá a experiência daquilo que idealizou no bebê, ou, não.
O bebê atípico é quando nasce um bebê com TEA, por exemplo. Lourdes explica que, por um lado, descobrir o diagnóstico para algumas famílias pode ser um alívio e para outras uma angústia. Para algumas famílias, o diagnóstico de uma criança atípica pode ser um alívio, porque poderão saber mais sobre o transtorno para lidarem melhor com a situação. Por outro lado, algumas famílias podem se sentir angustiadas, por não saberem o que lhes aguardam, bem como, sobre quais expectativas podem ter em relação ao seu filho; preocupação com o custo das terapias, por não serem baratas; medo de os pais morrerem e não achar ninguém para tomar conta; dentre outras preocupações.
Lourdes enfatiza que é importante os pais se permitirem vivenciar o luto e as emoções trazidas pelos pais por consequência da chegada do bebê atípico. Isto porque, no futuro, se os pais não tiverem vivenciado emoções, isso pode interferir no trato dos pais para com o filho autista. A psicóloga frisa que é importante também pesquisar livros sobre autismo e tentar entender as biografias, como também, entrar em contato com pais e com pessoas que vivenciam o mesmo assunto. Além disso, ela disse que as famílias devem se organizar nas rotinas e nos planos a partir do diagnóstico.
Saiba o porquê o autismo também é um transtorno familiar
A especialista disse que ter um filho autista demanda muito trabalho e dedicação por parte dos pais atípicos. Por outro lado, ela trás uma informação de que as mulheres acabam ficando mais sobrecarregadas do que os homens, já que estudos indicam que as mulheres cuidam mais dos filhos do que os pais. Dentre as sobrecargas surgidas ao cuidar de uma criança com espectro autista, Maria de Lourdes destacou: falta de rede de apoio; abdicação do trabalho; renúncia social; dificuldades de inserir a criança no ambiente escolar, isto, por falta de suporte educacional para autistas; ausência de lazer (pois, a família passa a evitar ir nos lugares por consequências de características e comportamentos das crianças autistas que não são aceitos ou compreendidos pela sociedade); falta de informação no momento do diagnóstico; dificuldade na comunicação com a criança; comportamentos agressivos, dentre outros. Todos estes fatores acabam afetando a qualidade de vida e a saúde mental dos pais.
Dê um clique no vídeo ou no áudio e saiba o que a psicóloga Maria de Lourdes disse sobre problemas que as sobrecargas de pais atípicos podem desencadear na saúde mental; como ficam os filhos típicos ao ter um irmão atípico; dentre outras sinalizações importantes acerca do assunto.

Assista o áudio da entrevista:
Assista o vídeo da entrevista:
Dani Rodrigues (MTBE 6757) e Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias