12 de dezembro, uma data que poderia ter sido esquecida, mas o assassinato de mãe e filha, evidencia uma falha social que a sociedade civil precisa transpor, que é sair de uma cultura de violência para uma cultura de paz entre aqueles que vivem numa mesma comunidade.
A data ontem (12/12), foi lembrada pelo Movimento social Do Luto à Luta, através de ações que vem se desenrolando ao longo do primeiro ano do assassinato de mãe e filha, Alcione Malheiros e Ana Júlia, junto à instituições representativas da rede de proteção à mulher de Guanambi e sociedade civil para sensibilizar os governos municipal e estadual para a instalação de órgãos que compõem à rede de proteção à mulher, como o CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher), NEAM (Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher) e DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).
Visita a sede do CRAM
O Movimento aproveitou a vinda da técnica do Governo do Estado da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Geane Soares, para uma visita de inspeção do CRAM (Centro de Referencia de Atendimento à Mulher), que definirá a vinda da secretária Julieta Palmeira, para inauguração, possivelmente, no dia 19 de dezembro. A visita à sede do CRAM aconteceu às 16h, com a presença de Quesia Malheiros, membro do movimento, do vereador Paulo Costa, das vereadoras Míria Paes e Maria Silvia Lilia, membros da comissão municipal de instalação do CRAM, Geórgia Bezerra e Gabriela Santana, da coordenadora do CRAM, Edneia Novaes dos Santos, Dr. Luis Edson Luia, líder político do governo do estado em Guanambi, Neide Lu, jornalista e Camíla Ávila, socióloga.

Manifestação pacífica na Delegacia
Membros do Movimento do Luto à Luta, às 18h, também foram à frente da Delegacia de Guanambi para fazer orações e manifestar pacificamente os anseios das mulheres para que o serviço da Delegacia de Guanambi seja mais acolhedor, enquanto o NEAN e a DEAM sejam instalados.

12º Encontro de Orações
O 12º Encontro de Orações, como vem ocorrendo todo mês em uma instituição religiosa, foi na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, com a Celebração do Bispo Diocesano de Caetité, Dom Carvalho, no bairro Alvorada. Dom Carvalho se solidarizou com a família nesta primeira “Páscoa” de Alcione e Ana Júlia. Ele também disse que a Igreja continua empenhada em combater problemas sociais, que também é o caso da “violência”, apelo levado pela família e pelo Movimento.

Quésia Malheiros, irmã e tia, de Alcione e Ana Júlia, agradeceu o acolhimento do Bispo Dom Carvalho, pediu o apoio dos fiéis para se engajar na luta do Movimento que é por todas as mulheres para à instalação do CRAM, NEAM e a DEAM e reforçou a caminhada junto a Procuradoria da Mulher, procuradora Míria Paes, vereador Paulo Costa, vereadora Maria Silvia Lilia e demais vereadores, órgãos que compõem a rede de proteção à mulher, a prefeitura de Guanambi e o governo do estado.

Caso Alcione e Ana Júlia
O processo do crime contra Alcione Malheiros e Ana Júlia continua tramitando na justiça, aconteceu a primeira audiência pública de instrução no dia 24 de agosto, e segue aguardando da Justiça o júri popular.
Qual a finalidade do Movimento do Luto à Luta?
O Movimento “Do Luto à Luta” tem buscado, por meio de reuniões lideradas por representantes da rede de combate a violência contra à mulher, em parceria com o setor educacional, a efetivação da disciplina Educação e gênero na rede educacional de Guanambi, pública e privada, ensino básico e universidades, que vise a desconstrução da cultura do machismo estrutural. Bem como, a implantação do CRAM (Centro de Referência ao Atendimento à Mulher), instalação de um serviço de apoio às mulheres e famílias vítimas de violência; a construção do mapa da violência contra as mulheres em Guanambi e região pelo Observatório UniFG do Semiárido Nordestino – OFGSN; a implantação do NEAM e a implantação da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) pelo governo do estado da Bahia.
Como surgiu o Movimento
O Movimento Do Luto à Luta é constituído por familiares de Alcione e Ana Júlia, Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, Observatório UniFG do Semiárido Nordestino – OFGSN, igrejas e sociedade civil.
Órgãos que compõem a rede de proteção às mulheres vítimas de violência em Guanambi
Procuradoria da Câmara de Vereadores de Guanambi, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher –CMDDM, Ronda Maria da Penha, Polícia Militar, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi, Ministério Público, Delegacia de Polícia de Guanambi, Defensoria Pública da Bahia, 17º Batalhão de Polícia Militar da Bahia, Centro Integrado de Comunicação – CICOM 190, Ronda Maria da Penha PM, Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, CREAS, Secretaria de Educação, Secretaria de Saúde, Instituto Médico Legal, Justiça Vara Crime, Hospital Geral de Guanambi, UPA 24 horas, Uneb, UniFG, Unopar, escolas particulares e igrejas.
Dados reais sobre a violência na Bahia
De acordo o levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, responsável pela pesquisa, os dados são estarrecedores sobre à violência contra à mulher na Bahia em 2021, registrando um caso de violência contra a mulher a cada dois dias. O estado ocupou o quarto lugar no índice nacional de vítimas, ocorrendo 66 feminicídios, 50 agressões e tentativas de feminicídios e 29 estupros. Outros quatro tipos de violência contra a mulher ainda foram denunciados: 55 homicídios, 13 tentativas de homicídios, 7 torturas, cárceres privados e sequestro, 6 agressões verbais e ameaças. Somando os casos de balas perdidas e os considerados como outros, 232 eventos de violência foram contabilizados.
Edição: Neide Lu (MTBE 6466), Portal Fala Você Notícias