O Movimento Vida Sim, barragem NÃO, no último sábado (27), das 8h às 17h, no auditório da UNEB Guanambi, promoveu o Seminário de formação “As contradições do Modelo Mineral no Brasil e no Alto Sertão da Bahia: os riscos de uma barragem de rejeitos”, mais uma ação de reforço para combater à construção da barragem de rejeitos do Projeto Mina Pedra de Ferro da Bahia Mineração (BAMIM), nos municípios de Caetité-BA e Pindaí-BA. A participação do Movimento pela Soberania Popular da Mineração (MAM), na organização através de seus representantes e palestrantes foi enriquecedora. Click e assista ao Seminário

O filósofo professor Magno Luiz da Costa, explanou sobre o sistema capitalista das mineradoras que tem sacado os bens naturais do país gerando lucros extraordinários, “como é o caso Vale que após sua compra se pagou em três meses”.

Magno Luiz da Costa
Os pontos para discussão levantados por Magno Costa, envolveram às condições de trabalho das mineradoras, à Legislação ambiental com suas brechas para negociar tudo de forma técnica, a economia local, as afetações na saúde das pessoas comprometendo o sistema respiratório, a fertilidade provocando impotência sexual e mutilações provocadas pela exploração do minério. Diante de tudo isso, Costa deixa a indagação, “qual o modelo econômico que queremos para a nossa região?”.
O Professor Magno, finaliza sua participação com esclarecimentos de que “é preciso lutar em vários âmbitos e enxergar pontos de saídas, lutar por direitos que envolvem a água, a vida e para não ter a barragem, e lutar por um projeto de sociedade dentro do projeto da BAMIM, porque o que é nosso não precisa sair”, diz. Ainda reforça sobre a soberania do nosso país para poder nos emancipar em nível mundial.

O segundo palestrante, Gilmar Santos da Comissão Pastoral da Terra/Cáritas Diocesana de Caetité, explana sobre o histórico da mineração em nossa região, aborda às contradições e impactos da atividade, exemplificando a cidade de Buquira-Ba, Brejinho das Ametistas, Distrito de Caetité, a Serra do Salto em Licínio de Almeida-BA e as Indústrias Nucleares da Bahia (INB).

Gilmar Santos
Gilmar Santos, diz que “as contradições são inúmeras no tocante as disputas territoriais conflituosas, tendo comunidades expulsas das terras a bala. Teve o caso da senhora que suicidou-se pela perca da terra. Tudo isso mexe estruturalmente com a sobrevivência das pessoas matando a cultura, o viver, a terra e água que fazem parte de suas vidas”. “Em Caetité a saúde tem sido afetada e como exemplo temos as mortes por câncer com maior incidência e em Lagoa Real, temos às águas subterrâneas contaminadas por urânio.
Sobre a BAMIM, Santos disse que participou das audiências do Projeto Pedra de Ferro, “e foram como jogos de cartas marcadas”. Ele relembra de um episódio ocorrido em 2013 em que a BAMIM colocou homens armados para desmatar à área de instalação da barragem de rejeitos (área da supressão vegetal), mas à população não permitiu.
Jorge Ferreira, biólogo e atual presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Olhos D’Água (IODA), aborda a disparidade existente entre a realidade e o que se encontra no Relatório de Impactos Ambientais (RIMA) e nos Estudos de Impactos Ambientais (EIA) do Projeto Mina Pedra de Ferro que foi aprovado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). “Dentre as contradições, à omissão do número de nascentes em que no estudo relata três pontos, mas existe mais de 20 pontos relatados pela comunidade, dizem que apenas três famílias são beneficiadas pelos pontos das águas, o estudo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) relata 230 famílias que somando até Pindaí-BA chega a 3 mil famílias beneficiadas pela água das nascentes, córregos com água e no estudo do RIMA diz que não, além da contradição da licença de áreas que não foram autorizadas, metodologia utilizada para fazer inventário florestal que se baseia em modelo aleatório que não condiz no que está escrito que é de forma linear”, explica. Assista as explicações de Jorge Ferreira sobre as contradições

Jorge Ferreira
José Coqueiro, membro do Centro de Agroecologia no Semiárido, falou de outras formas de produção e reprodução da vida na região e o potencial das atividades produtivas dentro da sustentabilidade respeitando a cultura e a história do povo. “Até agora não precisamos de mineração para sobreviver, fomos capazes de resistir a seca e melhorar a nossa produção”, diz Coqueiro. Click e assista ao Seminário, segunda parte

José Coqueiro
O seminário promoveu a capacitação dos envolvidos no Movimento Vida SIM, barragem NÃO, sendo extensivo para a comunidade local e regional.
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